O dólar opera em alta nesta quinta-feira (22), com os investidores na expectativa pela pesquisa Datafolha para o segundo turno da eleição presidencial, que será divulgada nesta noite, mantendo-se mais cautelosos diante de um cenário de disputa tecnicamente empatada.
A alta do petróleo também preocupa os investidores, diante do risco de pressão inflacionária e de seus possíveis efeitos sobre a curva de juros.
Às 10h08, a moeda norte-americana subia 0,20%, cotada a R$ 5,051. No mesmo horário, os juros futuros também avançavam, com a taxa DI para 2028 subindo 12,865%, alta de 9 pontos-base, e a taxa DI para 2030 avançando 10 pontos-base, a 12,675%. A Bolsa, por outro lado, recuava 0,26%, a 205.943 pontos.
Na quarta-feira (21), a divisa fechou em leve alta de 0,17%, cotada a R$ 5,026, com investidores repercutindo os resultados da nova pesquisa Quaest sobre o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, encerrou o dia próximo da estabilidade.
O desempenho da Bolsa e o cenário político
O Ibovespa fechou em forte queda de 0,86%, aos 206.495 pontos, pressionado principalmente pelas ações da WEG, que recuaram 7,33%, a R$ 45,21, após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, considerados abaixo das expectativas do mercado por analistas.
Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos, diz que o balanço da companhia não foi ruim, mas ficou aquém do que os investidores esperam de uma empresa negociada a cerca de 30 vezes o lucro. Segundo ele, nesse patamar o mercado exige crescimento e margens elevados.
A conversão das vendas em reais e a rentabilidade da empresa foram pressionadas. Mais de 60% da receita da WEG vem do exterior, e a variação do dólar influencia o resultado da empresa quando as vendas são convertidas para reais. No terceiro trimestre, as vendas internacionais cresceram quase 15% em dólares, mas pouco mais de 8% em reais. O especialista diz ainda que o cobre mais caro, as tarifas nos Estados Unidos e as novas fábricas ainda em fase de ganho de escala também pressionaram as margens.
O especialista acrescenta que a entrada de recursos na Bolsa brasileira has favorecido empresas mais sensíveis aos juros e ao consumo. Nesse movimento, a WEG, vista como uma alternativa de proteção por ter receitas em moeda estrangeira, acaba perdendo espaço nas carteiras de investidores que buscam outras oportunidades.
No cenário político, a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 44%.
Em relação ao levantamento da semana passada, Flávio oscilou um ponto percentual para baixo, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, enquanto Lula manteve o mesmo percentual. O resultado indica empate técnico entre os candidatos. Votos em branco ou nulo somaram 9%, enquanto 2% dos entrevistados estavam indecisos.
Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o mercado esperava que os números da pesquisa ajudassem a confirmar a percepção de vantagem numérica do senador, ainda que em empate técnico. “A expectativa ganha peso porque a Bolsa brasileira vem de uma sessão de forte alta, impulsionada justamente pelo chamado trade eleitoral, com avanço de 1,57%”, afirma.
A expectativa de alternância de poder tem favorecido os ativos brasileiros, diante de apostas em mudanças na condução da política econômica, sobretudo na área fiscal. A possibilidade de uma vitória de Flávio Bolsonaro é associada à perspectiva de um ajuste fiscal mais rigoroso, apontado por analistas como um dos fatores por trás da valorização recente da Bolsa e do real.
No pregão seguinte ao primeiro turno, o Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. O dólar recuou para menos de R$ 5, e os juros futuros caíram mais de 100 pontos-base ao longo da semana seguinte à votação.
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, adiciona que a moeda americana ganhou força após a nova pesquisa eleitoral indicar uma disputa mais apertada, o que aumentou a procura por proteção a poucos dias do segundo turno. Os investidores também aguardam a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha nesta quinta-feira (22), a partir das 19h.
O mercado de juros futuros fechou o dia próximo da estabilidade. Às 17h15, os contratos com vencimento em janeiro de 2028 eram negociados a 12,775%, valor similar ao fechamento do último pregão. Na ponta longa da curva, os contratos para janeiro de 2035 estavam em 12,740%, em alta de 0,01 ponto percentual.
Cenário internacional e Wall Street
Em Wall Street, as Bolsas fecharam em alta, com investidores retomando o otimismo em relação às ações de tecnologia após empresas divulgarem resultados acima das expectativas na véspera. O Dow Jones subiu 0,69%, o S&P 500 avançou 0,58% e o Nasdaq registrou ganho de 1,05%.
Segundo Juliana Benvenuto, coordenadora de investimentos e conteúdo da Avenue, os resultados da Super Micro e da SpaceX estiveram entre os destaques positivos. “A SpaceX registrou lucro superior a US$ 4 bilhões, enquanto o mercado esperava cerca de US$ 1,88 bilhão. A reação foi expressiva, e os papéis da companhia avançam mais de 8% no pré-mercado”, afirma a especialista.
Na contramão, as ações da Netflix recuaram mais de 5%. Apesar de os resultados divulgados na véspera terem ficado em linha com as expectativas, as projeções da empresa para o próximo trimestre vieram abaixo do esperado, pressionando os papéis, que já acumulam queda superior a 20% em 2026, diz Benvenuto.
No mercado de petróleo, os preços seguem pressionados pelas incertezas no Oriente Médio. Às 17h18, a commodity subia 1,02%, cotada a US$ 109,90.
No mercado de títulos públicos americanos, os Treasuries apresentaram pouca variação. Os papéis de dez anos tinham rendimento de 5,123%, com alta de 0,01 ponto percentual, enquanto os títulos de 30 anos ofereciam retorno de 5,414%, valor similar ao fechamento do último pregão. Os rendimentos desses títulos servem de referência para o custo do crédito nos Estados Unidos e influenciam os mercados globais.
A próxima reunião do Fed (Federal Reserve, banco central americano) está marcada para os dias 27 e 28 de outubro. O mercado passou a apostar na manutenção dos juros nessa reunião e concentra as expectativas de mudança na taxa em dezembro. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, 85,1% dos investidores esperam a manutenção dos juros, enquanto 14,9% projetam uma elevação para a faixa entre 4% e 4,25%.
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