Amyr Klink: “Eu tinha uma relação muito complicada com o meu pai”

Amyr Klink relembra relação difícil com o pai em novo filme

Curiosidades

Programado para chegar aos cinemas no dia 29 de outubro, o filme “100 Dias” narra a célebre travessia a remo do Atlântico Sul realizada pelo navegador brasileiro Amyr Klink durante a década de 1980. Em entrevista, Klink abriu o jogo sobre a adaptação cinematográfica de sua trajetória, a recriação histórica e os conflitos familiares que marcaram o período da empreitada.

Questionado se exigiu a presença de algum elemento específico no roteiro, o navegador explicou que optou por se distanciar do processo criativo por se tratar de outra mídia. “Fiz questão de não me envolver, pois entendo que é outra obra. Tenho muito apreço pelo diretor, Carlos Saldanha [da animação Rio], e logo nas primeiras reuniões com ele falei: ‘Toma, que o filho é seu'”, afirmou.

O rigor na recriação da aventura também chamou a atenção do protagonista da vida real, especialmente pelo uso de uma réplica exata da embarcação original, encomendada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). “No final, fiquei muito impressionado com o preciosismo histórico dele. Eles usaram a réplica navegável do barco encomendada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Ela é perfeita. Quando eu olho esse barco ao lado do meu, não sei dizer com qual eu viajei.”

Relação familiar e bastidores das gravações

Embora a obra literária original cite brevemente os vínculos parentais do navegador, a produção audiovisual mergulha de forma mais intensa nesse aspecto dramático. Segundo Klink, a época foi marcada por fortes turbulências familiares, sendo a mãe a única confidente de seus planos iniciais. “Foi um período complicado na minha vida. A única pessoa que sabia o que eu estava fazendo era a minha mãe […]. Eu tinha uma relação muito complicada com o meu pai. Ele era um homem difícil, violento. Ficou endoidecido quando leu no jornal que um brasileiro chamado Amir iria atravessar o Atlântico remando.”

O estalo do pai ao descobrir a viagem pela imprensa gerou um rompimento momentâneo, que só foi revertido com a ajuda de terceiros em alto-mar. “‘Eu sou o último a saber’, ele disse, e brigou a ponto de não falar mais comigo. No final, houve uma reconciliação no meio da viagem, quando alguns radioamadores o colocaram na linha. ‘Muito bem, grandão, que Netuno te proteja’. Ele falava assim mesmo, de um jeito épico, até meio assustador.”

Ao comentar sobre o processo de filmagem, o navegador destacou o esforço da equipe e brincou com o sofrimento do ator principal nas cenas de tempestade artificial. “As gravações foram um ato de heroísmo, né? Porque, pelo amor de Deus, a paciência que tem que ter para fazer um filme… Eu só fiz uma visita no set em Paraty (RJ) e outra na piscina com não sei quantos milhões de litros que a produção fez no interior de São Paulo, numa fábrica abandonada da Sherwin-Williams.”

“Acho que o Filipe [Bragança, que interpreta Klink] sofreu bem mais que eu, porque eles construíram essa máquina de fazer onda e ele tomou água na cara. Deve ter bebido água da piscina, coisa que não aconteceu comigo (risos).”

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