O Ministério de Minas e Energia deu início nesta sexta-feira (23) a uma consulta pública destinada a subsidiar um diagnóstico voltado para a expansão da infraestrutura nacional de recarga de veículos elétricos. A medida ocorre em meio à crescente adoção desses automóveis, cujas vendas dispararam em comparação aos números registrados em 2025.
De acordo com a pasta, o objetivo é coletar informações para desenhar um panorama da atividade, identificar obstáculos legais e regulatórios, além de formular ajustes normativos e diretrizes. O plano visa integrar a infraestrutura de recarga às redes de distribuição de energia e aprimorar o planejamento energético do país.
Crescimento expressivo nas vendas Os emplacamentos de veículos leves eletrificados no Brasil alcançaram 381.609 unidades entre janeiro e setembro deste ano, registrando um volume cerca de 70% superior às vendas de todo o ano de 2025, conforme dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) citados pelo ministério.
“Em setembro a participação de veículos eletrificados alcançou 19,8% das vendas de veículos leves, ritmo que tem superado as projeções oficiais disponíveis”, pontuou a pasta por meio de uma nota técnica.
Para o governo, a eletrificação da frota configura uma tendência estrutural e não apenas conjuntural. Entre os fatores que impulsionam essa alta está a chegada de montadoras estrangeiras, que anunciaram novos investimentos na produção e montagem de automóveis no Brasil.
A fabricante chinesa BYD avança na nacionalização de componentes e já solicitou licenças para duplicar a capacidade anual de sua fábrica brasileira, mirando a marca de 600 mil veículos. Outras montadoras de peso no país, a exemplo de Stellantis, Volkswagen, Toyota e GWM, também incluem veículos elétricos e híbridos no centro de seus aportes, que somam aproximadamente R$ 130 bilhões até 2030, de acordo com levantamentos oficiais.
Desafios na infraestrutura e distribuição de energia No que diz respeito aos equipamentos de abastecimento, o Brasil dispõe atualmente de 29.866 pontos públicos e semipúblicos, segundo levantamento da ABVE em parceria com a Tupi Mobilidade. No entanto, a distribuição geográfica desses locais permanece altamente concentrada: o estado de São Paulo abriga 26,3% dos pontos do país, e somado aos outros três estados da região Sul, o grupo responde por 50,7% do total nacional. Em contraste, os sete estados da região Norte concentram apenas 3,4%.
O governo avalia que a eletromobilidade se tornará um segmento expressivo no consumo de eletricidade. A projeção é que a demanda energética para essa finalidade atinja cerca de 15 TWh em 2036, uma “ordem de grandeza comparável à de outras novas cargas relevantes para a expansão da demanda elétrica considerada no planejamento setorial”.
Além do volume total, a dispersão espacial e temporal dessa nova carga trará desafios para o setor elétrico. “Em especial, a recarga de veículos elétricos pode provocar concentrações localizadas de demanda em áreas urbanas, condomínios residenciais, garagens corporativas, centros logísticos e corredores rodoviários, com possíveis reflexos sobre os circuitos de distribuição e transformação que os atendem”, alertou a nota técnica.
A consulta pública promovida pelo ministério permanecerá acessível para o recebimento de contribuições durante um prazo de 30 dias.
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