Eleitores idosos deram um verdadeiro show de cidadania e democracia neste segundo turno das eleições, realizado no domingo, 25 de outubro. Indivíduos de até 95 anos compareceram aos locais de votação utilizando cadeiras de rodas, andadores ou contando com o apoio de familiares para escolher o próximo presidente do Brasil, apesar das evidentes dificuldades de locomoção.
O mais marcante é que nenhum deles tinha obrigação legal de comparecer, visto que o voto é facultativo para quem tem mais de 70 anos no país. Vivenciando o período histórico marcado pelas sombras da ditadura, esses brasileiros decidiram exercer um direito democrático fundamental para definir os rumos da nação pelos próximos quatro anos.
Casal centenário e a busca por mudanças Em Fortaleza, no Ceará, o casal José Evandro Camurça, de 95 anos, e Neide Rocha Camurça Barbosa, de 93, votou unido no Círculo Militar, situado no bairro Meireles, com a assistência das filhas. “Enquanto tiver vida, a gente tem que votar. Tenho prazer em votar”, disse Neide. O marido, seu José Evandro, destacou que vota também pensando nos outros e enxerga a participação como uma responsabilidade cívica indispensável.
Atualmente, o Brasil possui quase 300 mil eleitores com mais de 100 anos cadastrados e cerca de 8,7 milhões de pessoas na faixa etária de 70 anos ou mais, grupo que apresentou alta expressiva na participação eleitoral em 2026. Somente no primeiro turno, mais de 2.100 centenários votaram pelo território nacional.
Neide Rocha Camurça ressaltou que, mesmo aos 93 anos, mantém forte preocupação com os rumos do país. “É muito importante para o país o voto da gente. A gente está escolhendo quem vai nos mandar, quem vai mandar no país, a gente quer o melhor”, afirmou a idosa.
Outro exemplo veio de João Ernandes Evangelista Maia, de 86 anos, que votou na Escola Municipal São Rafael, na Praia de Iracema, em Fortaleza, após um longo período sem participar das urnas. “Quero ver mudanças nesse país antes de morrer. Eu acho que é muito importante a votação. Se o país não vai bem, procura-se a melhora”, relatou.
Legado para as futuras gerações Na capital federal, Teresa Machado, de 83 anos, também exemplificou o significado de ser cidadã. Em depoimento, ela destacou a importância constante de marcar presença nas eleições, mesmo tendo morado no exterior em períodos anteriores. “Quem participa pode cobrar, quem não participa fica de fora aguardando o que os outros decidem”, pontuou.
A idosa enfatizou que o voto é uma forma de deixar um legado duradouro para descendentes. “Quem deixa um legado como eu, de filhos, netos, bisnetos, vai sempre querer o melhor para eles. E o melhor é escolher.”
Superação de limites físicos A determinação também marcou a trajetória de João César de Freitas Pinheiro, de 77 anos. Após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) e passar a depender de um andador para se locomover, ele fez questão de comparecer ao Círculo Militar de Fortaleza ao lado da esposa, Maria da Glória de Freitas da Silva. “Eu tive um AVC e tenho essa dificuldade de locomoção, mas tenho votado. Eu exerço meu direito de cidadão sempre e vou exercer até morrer”, declarou.
Na mesma linha, Mirian Costa Lima, de 76 anos, chegou de cadeira de rodas a uma zona eleitoral na capital cearense, mesmo estando desobrigada de votar há seis anos. “É um voto a mais. Eu quero que meu candidato ganhe e às vezes um voto só faz diferença”, disse.
Crescimento expressivo na participação A mobilização da terceira idade já havia surpreendido no primeiro turno de 2026. Conforme dados do Movimento Voto 70+ e do centro de pesquisa Data8, a presença de eleitores com 70 anos ou mais disparou 43% em comparação a 2022. Foram 8,7 milhões de votos registrados por esse público no primeiro turno deste ano, superando os 6,13 milhões do pleito anterior.
Pela primeira vez desde 2014, mais de 50% do eleitorado nessa faixa etária compareceu para votar. Os índices definitivos do segundo turno ainda aguardam a consolidação oficial por parte da Justiça Eleitoral, mas as imagens e relatos confirmam que a cidadania não conhece barreiras etárias.
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