Novo supermotor de quatro cilindros da Toyota entrou em testes

Toyota testa novo supermotor de quatro cilindros sem turbo

Automóveis

A Toyota continua firme no desenvolvimento de propulsores térmicos e acaba de apresentar um novo motor de quatro cilindros atmosférico de 2,0 litros. Esse componente integra a nova linhagem de motores de combustão criada pela montadora nipônica e fez sua estreia oficial nas pistas durante o campeonato japonês Super Taikyu, instalado sob o capô do GR86 Future FR Concept, um protótipo laboratório para futuros carros esportivos da marca.

Desde 2024 que a fabricante fala sobre essa nova geração de motores de combustão, cuja chegada ao mercado está programada apenas para 2027. O processo de engenharia tem sido bastante público, com destaque para o avanço do G20E, um quatro cilindros em linha turbo com 2,0 litros.

Não demorou muito para o G20E ir para a prática. Por meio da Gazoo Racing, a Toyota colocou o propulsor na traseira de um GR Yaris altamente modificado para avaliá-lo no cenário mais rigoroso de todos: a competição. O veículo mal lembra um GR Yaris convencional após adotar uma carroceria coupé na etapa final do campeonato em Okayama, realizada nos dias 24 e 25 de outubro.

Em paralelo, a fabricante aproveitou a ocasião para exibir uma nova variação do bloco G20E: uma opção aspirada, desprovida de turbo, acomodada no GR86 Future FR Concept.

Esse GR86 já competia no torneio utilizando a unidade de produção do GR Yaris, um três cilindros turbo de 1,6 litros (G16E-GTS). Conforme dados da publicação japonesa Car Watch, que cobriu o lançamento, a nova máquina aspirada entrega entre 200 cv e 220 cv, embora um número oficial ainda não tenha sido divulgado.

Embora a potência seja menor que a do três cilindros turbo, a ausência de turbocompressor e de outros equipamentos auxiliares resulta em um conjunto mais leve. O benefício direto aparece na dianteira, que fica mais aliviada e favorece o comportamento dinâmico.

Regimes elevados de rotação

O piloto e engenheiro de testes Kazuya Oshima revelou à imprensa do Japão que o propulsor consegue atingir patamares de giros superiores aos previstos inicialmente, sem detalhar métricas exatas.

Essa característica pode estar ligada a um detalhe divulgado no lançamento de 2024, quando a empresa informou que o curso do cilindro desses novos motores seria substancialmente menor do que o do bloco de 2,0 litros empregado atualmente pela marca.

O intuito, conforme justificou a companhia na época, consistia em reduzir a altura do conjunto mecânico para viabilizar capôs mais baixos e otimizar a aerodinâmica. Contudo, o curso curto também estimula giros altos e, consequentemente, a potência, embora possa gerar um comportamento um tanto pontudo.

Quem já conduziu um Honda S2000 ou um Toyota GT86 entende bem essa sensação. O torque máximo surge em faixas de rotação muito elevadas, o que gera uma certa escassez de força em baixos giros. Em ambiente de pista isso não representa um obstáculo, pois o motor trabalha constantemente nas faixas mais altas. No entanto, no uso cotidiano, onde os regimes médios e baixos predominam, a dirigibilidade e a suavidade podem ser afetadas.

Foi justamente por esse motivo que a fabricante também comunicou, no mesmo período, que essa família inédita de motores atuará sempre integrada a um sistema híbrido. Em outras palavras, o motor térmico contará sempre com o apoio de um propulsor elétrico para suprir a deficiência de torque nas saídas e rotações iniciais. Contudo, no exemplar do GR86 que competiu em Okayama, não havia indícios de eletrificação.

Futuro dos esportivos

As modificações mecânicas foram além do motor. O protótipo GR86 Future FR Concept também incorporou novas suspensões de duplos triângulos em ambos os eixos, cujas geometrias continuam sob avaliação.

Trata-se de uma transformação radical em comparação ao GR86 de série, que recorre a um motor boxer aspirado de 2,4 litros fornecido pela Subaru. Por enquanto, a marca não confirma se tais soluções chegarão ao sucessor do GR86, modelo já assegurado pela divisão Gazoo.

De qualquer forma, a chegada de variantes desses motores a veículos de produção é certa. Além da unidade de 2,0 litros, a engenharia desenvolve um bloco de quatro cilindros e 1,5 litro, que tem potencial para desempenhar um papel estratégico nos próximos híbridos da marca.

O G20E, por sua vez, tem chances reais de equipar os próximos esportivos da linha Gazoo, o que inclui os esperados retornos dos icônicos Celica e MR2.

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