Resistência à insulina: por que suplemento não resolve e o treino ajuda

Alerta da Anvisa sobre suplementos e a resistência à insulina

Saúde

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu recentemente um alerta importante a respeito do uso indiscriminado de suplementos alimentares para tratar a resistência insulínica. Divulgadas com frequência nas redes sociais como soluções milagrosas para a condição, substâncias como magnésio, berberina e mio-inositol acabam atrapalhando a busca por um diagnóstico e uma orientação médica apropriados.

De acordo com o órgão, os suplementos alimentares até podem ser indicados por especialistas da área da saúde para alguns casos de resistência insulínica, auxiliando na correção de deficiências nutricionais. Entretanto, eles nunca devem ser encarados como uma alternativa terapêutica para o problema.

“Essas indicações não são seguras, podendo induzir as pessoas ao erro e fazer com que deixem de buscar acompanhamento médico adequado”, afirma a Anvisa, em um artigo publicado no gov.br.

O que é a resistência à insulina? A condição ocorre quando as células do organismo passam a responder menos à ação da insulina, responsável por permitir que a glicose presente no sangue seja utilizada como fonte de energia.

“Para compensar essa dificuldade, o pâncreas pode produzir mais insulina, mantendo a glicemia aparentemente normal durante um período. Com o tempo, porém, esse mecanismo de compensação pode deixar de ser suficiente, ficando resistente a ele”, explica a endocrinologista Fernanda Parra.

O que causa resistência insulínica? Trata-se de um quadro multifatorial, associado a fatores genéticos, sedentarismo, dieta desbalanceada, sono inadequada e excesso de gordura visceral. Também recebe influência de alterações hormônios e outros diagnósticos (por exemplo, a síndrome ovariana metabólica poliendócrina).

“É importante mencionar que a resistência à insulina não está restrita a pessoas com obesidade. Indivíduos com peso considerado ideal também podem apresentar essa alteração”, diz a médica.

Quais são os riscos de ignorar o problema? Existe uma série de consequências negativas relacionadas à falta de um tratamento adequado da resistência à insulina. A situação pode evoluir para o desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2, uma doença crônica que pode gerar complicações que afetam diferentes órgãos, incluindo rins, olhos, nervos e o sistema cardiovascular.

Além disso, evidências científicas apontam que a resistência à insulina consiste em um fator de risco significativo para complicações cardiovasculares, independentemente da presença de diabetes.

“Também está associada a alterações como aumento dos triglicerídeos, redução do HDL, elevação da pressão arterial e acúmulo de gordura no fígado. Em conjunto, esses fatores podem contribuir para o surgimento da síndrome metabólica e aumentar o risco cardiovascular”, comenta a médica.

Sintomas e mitos sobre os suplementos Na maioria das vezes, o problema se manifesta de forma silenciosa e tende a permanecer assintomático por muito tempo, sendo descoberto em exames de rotina ou diante de diagnósticos associados.

“Em alguns casos, podem surgir sinais como escurecimento e espessamento da pele em regiões como pescoço, axilas e virilha. Cansaço e dificuldade para controlar o peso também podem estar presentes, porém são manifestações inespecíficas e, isoladamente, não confirmam o diagnóstico”, fala Parra.

Os suplementos alimentares, por si só, não resolvem a condição. “A condição envolve mecanismos metabólicos complexos, que exigem uma abordagem individualizada, com mudanças no estilo de vida e, quando indicado, tratamento medicamentoso”, ressalta a endocrinologista.

O uso indiscriminado de suplementos alimentares podem provocar efeitos adversos, interações medicamentosas ou problemas relacionados à qualidade ou à composição desses produtos. “Outro risco importante é adiar a investigação médica e deixar de adotar medidas que realmente contribuam para melhorar a saúde metabólica.”

“O paciente precisa entender que não existe uma fórmula única para todos. Antes de iniciar qualquer suplemento, é fundamental buscar orientação profissional e avaliar se há realmente uma necessidade”, fala Parra.

O papel fundamental da atividade física O movimento regular faz toda a diferença para o tratamento, ajudando o corpo a utilizar a glicose de um jeito mais eficiente. Durante o exercício, os músculos captam a glicose do sangue sem depender tanto da insulina, e esse efeito pode se prolongar por horas depois do treino.

“Durante a contração muscular, os músculos conseguem captar glicose por mecanismos que não dependem exclusivamente da ação da insulina”, esclarece Fernanda.

Os treinos de força, como a musculação, colaboram para o aumento ou a preservação da massa muscular, que é importante para o metabolismo da glicose. “Já os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida, ciclismo e natação, contribuem para melhorar o condicionamento cardiorrespiratório e o controle metabólico.”

A combinação entre modalidades de força e atividades aeróbicas pode ser uma estratégia bastante interessante. “Mais importante do que buscar um treino extremamente intenso é construir uma rotina consistente, adequada às condições clínicas e à capacidade física de cada pessoa.”

Outros cuidados essenciais A dieta deve ser rica em alimentos naturais, como vegetais, frutas e saladas, e pobre em ultraprocessados, doces, farinhas refinadas e bebidas açucaradas.

“Na alimentação, é importante priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como verduras, legumes, frutas, leguminosas, cereais integrais e fontes adequadas de proteína. Também é recomendável reduzir o consumo excessivo de bebidas açucaradas, produtos ultraprocessados e alimentos com alta densidade energética”, orienta a endocrinologista.

A qualidade do sono e o manejo do estresse são outros pontos fundamentais, já que dormir pouco ou de maneira irregular prejudica a regulação hormonal e metabólica. “Quando existe excesso de peso ou obesidade, a redução de gordura corporal, especialmente da gordura visceral, pode contribuir significativamente para a melhora da sensibilidade à insulina”, acrescenta a médica.

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