Pior que a derrota, os arranhões fora de campo

Conmebol rejeita recurso do Flamengo sobre caso Marcos Rojo

Esportes

A Conmebol recusou nesta quarta-feira (28) o recurso apresentado pelo Flamengo referente a uma suposta irregularidade na inscrição de Marcos Rojo pelo Estudiantes na semifinal da Libertadores. Com a decisão da entidade, o clube argentino está liberado para disputar a final do torneio continental contra o Palmeiras daqui a um mês.

O imbróglio envolveu questões estritamente burocráticas. Marcos Rojo estava no Racing e entrou em campo no dia 27 de setembro, sendo que a janela de transferências da Argentina havia sido encerrada no dia 2. O Estudiantes o contratou para ocupar a vaga do defensor Gabriel Neves, que estava lesionado. Amparada pela exceção para substituir atletas machucados, a AFA (Associação de Futebol da Argentina) aceitou o registro do atleta no futebol local.

Por outro lado, a Conmebol interpretou que a situação não se enquadrava nas exceções regulamentares para novas inscrições, uma vez que o jogador mantinha vínculo com outra equipe quando a janela fechou. Como a federação argentina validou o registro e a confederação sul-americana negou, o Estudiantes recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS), que concedeu uma liminar favorável para que o atleta atuasse. Rojo entrou em campo contra o time carioca e o restante da história é conhecido.

O Flamengo exerceu seu direito legítimo ao buscar igualdade de condições nas partidas. Embora Rojo não tenha sido o protagonista absoluto da eliminação brasileira, a ausência dele poderia ter alterado qualquer lance da partida, seja a favor ou contra. O clube carioca tinha total respaldo para questionar a regularidade, da mesma forma que cabe o reconhecimento do resultado obtido no gramado.

No campo esportivo, o desempenho nos 180 minutos contra um adversário limitado e aguerrido deixou a desejar: foram apenas três finalizações certas, sendo apenas uma com perigo real. Na decisão por pênaltis, os principais cobradores flamenguistas pararam em Muslera, goleiro histórico marcado por momentos decisivos com a seleção uruguaia e em Copas do Mundo.

Desde o início da polêmica, a postura do Flamengo consistiu em buscar seus direitos independentemente do placar, virando a página continental para focar exclusivamente na reta final do Campeonato Brasileiro.

Nas últimas semanas, o clube acumulou desgastes em pautas extra-campo, desde a defesa pelo retorno das casas de apostas até disputas judiciais para impedir que o Vasco mandasse partidas no estádio administrado — mas não de propriedade — pelos rubronegros, culminando no caso do Estudiantes. Uma instituição poderosa precisa de força nos bastidores, mas jamais utilizá-la para encobrir deficiências no local que realmente importa: as quatro linhas.

Liderando o Campeonato Brasileiro a apenas seis rodadas do término da competição, a temporada ainda pode terminar de forma positiva para os torcedores, embora a hegemonia recente faça com que conquistar “apenas” o título nacional pareça pouco para as grandes ambições do clube. Para quem se habituou a levantar muitas taças, os recentes reveses representam tanto um baque esportivo quanto um desgaste institucional indesejado pela torcida.

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