O que conhecer nas ruas mais descoladas de São Paulo, Rio, Recife e BH

Ruas mais descoladas do Brasil: guia completo de São Paulo, Rio, Recife e BH

Turismo

As ruas mais vibrantes do Brasil combinam perfeitamente a herança histórica com a modernidade urbana, abrigando desde construções seculares até empreendimentos jovens e descolados que atraem turistas e moradores locais. Ruas renomadas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife transformaram-se em polos de convivência, gastronomia e cultura a passos largos, impulsionadas pela coragem de empresários que apostaram em regiões antes esquecidas e hoje colecionam premiações internacionais.

Rua do Senado e Rua Arnaldo Quintela (Rio de Janeiro)

Há uma década, a rua do Senado, no centro do Rio de Janeiro, tinha alguns antiquários e uma loja de bebidas, o centenário Armazém do Senado, com rodas de samba aos fins de semana. De lá para cá, virou ponto de encontro entre jovens, com restaurantes e bares, e ter sido eleita, em 2025, a rua mais legal do mundo pela revista Time Out.

Quando o empresário Lúcio Vieira decidiu abrir o restaurante Lilia na rua do Senado, no alto de um sobrado do século 19, tinha poucas pistas do que viria a seguir. “A galera mais antenada já havia reparado que acontecia algo parecido em São Paulo, na região da República, mas tinha receio. O Armazém do Senado era point da velha guarda do samba, mas não vinha ninguém de outros bairros para cá, muito menos turistas”, lembra Vieira, que depois abriu mais dois bares na rua: o Labuta Bar e o Braseiro Labuta.

Imóveis do século 19 abrigam antiquários. Nos fins de semana, a partir da tarde de sexta-feira, o agito se concentra entre as ruas do Lavradio e Mem de Sá, onde o asfalto ferve com a roda de samba e artistas que se apresentam no alto das sacadas. – Nº 40: Na Hamburgueria da Alfândega, lanches como o volcanic, coberto de cheddar derretido, podem ser degustados em mesas na calçada. – Nº 45: O restaurante Lilia tem cozinha criativa chefiada por Yan Ramos. Com 11 tempos, o menu-degustação custa R$ 410. – Nº 46/48: Na antiga fábrica da Granado, o complexo reúne o centro cultural Solar dos Abacaxis e o Mercado Central, com os restaurantes Bocado, Petí e Suba. – Nº 47: Misto de loja, bar e centro cultural, o Ateliê Bonifácio dedica-se à cultura afro-brasileira. – Nº 53: Produtora de gim, vodca e cachaça, a Destilaria Maravilha funciona como bar de coquetelaria e espaço musical. – Nº 60: Inaugurada em 1907, a loja de bebidas Armazém Senado é palco de rodas de samba às sextas, sábados e domingos. A casa não tem cozinha, mas permite que os clientes peçam comida no Labuta Bar, ao lado. – Nº 62: Saem da cozinha do Labuta Bar os PFs (a partir de R$ 54) e porções que abastecem as mesas do vizinho Armazém Senado. – Nº 65: No Braseiro Labuta, as especialidades são o flat iron de wagyu (R$ 429) e o assado de tira (R$ 155), ambos com 350g.

Na rua Arnaldo Quintela, em Botafogo, coroada pela revista Time Out em 2024 como a oitava mais cool do mundo, a saída das oficinas mecânicas abriu espaço para o “baixo Bota”: – Nº 23: A pizzaria Ferro e Farinha do nova-iorquino Sei Shiroma é a 31ª do mundo no ranking internacional 50 Top Pizza. – Nº 87: Cadeiras de praia na calçada, chorinho aos domingos e petiscos como frango à passarinho (R$ 54,90) são os atrativos do Xepa Bar. – Nº 89: Dedicado ao rock, o Culto Bar serve pizzas (a partir de R$ 50) na companhia de coquetéis (a partir de R$ 28). – Nº 93: O bar de vinhos Belisco, da sommelière Gabriela Teixeira, tem menu do chef Douglas Sanchez. Taças de R$ 35 à R$ 60. – Nº 102: O chef Pedro Siqueira comanda a Sisi Cucina, onde serve sanduíches (R$ 34 a R$ 45) e pizzetas (R$ 25) no balcão. – Nº 124: Coquetéis e vinis são o atrativo do Quartinho Bar, que promove matinês às quintas, com dança e DJ.

Rua dos Pinheiros e Praça da República (São Paulo)

Em São Paulo, o movimento que transformou a rua dos Pinheiros, na zona oeste, aconteceu um pouco antes. Até 2009, quando foram retirados os tapumes das obras do metrô, havia bares e restaurantes de bairro, oficinas mecânicas e prestadores de serviço. Hoje, o trecho entre as avenidas Pedroso de Moraes e Rebouças é um dos principais corredores gastronômicos da cidade.

Chico Ferreira e Gil Carvalhosa Leite, sócios do Le Jazz, viveram algo parecido em 2009. Alugaram uma loja na rua dos Pinheiros, antes ocupada por uma oficina. As obras do metrô haviam deixado de herança uma série de imóveis desocupados. No livro “Alma de Bistrô – A Trajetória do Le Jazz” (ed. Amê Content), o autor Luiz Américo Camargo conta que a dupla enxergou na via “algo de Saint-Germain: charme decadente, eflúvios boêmios, um sentimento de camaradagem entre vizinhos”.

A República, que não é só uma rua, mas uma microrregião no centro histórico de São Paulo, entrou este ano na lista dos 40 bairros mais legais do mundo da revista Time Out na 25ª posição. O roteiro paulistano destaca endereços marcantes: – Rua dos Pinheiros (trecho entre R. Dr. Fernandes Coelho e Av. Rebouças): Cozinha 212 (nº 174), Atlântico 212 (nº 70), Pirajá (nº 209), Bráz Elettrica (nº 220), Brigadeiro Doceria & Café (nº 230), Le Jazz Brasserie (nº 254), Nou (nº 274), Bodega Pepito (nº 320), Modern Mamma Osteria (nº 332), Momo Gelato (nº 436), Patties (nº 476), Livraria da Travessa (nº 513) e Dulca Caffè (nº 537). – Praça da República e Arredores (Copan, R. Araújo, R. Bento Freitas e R. Epitácio Pessoa): Bar da Dona Onça (Copan Lj. 27), Brisa do Barú (Copan Lj. 46), Megafauna e Cuia (Copan Lj. 53), Cortina (R. Araújo, 62), A Casa do Porco (R. Araújo, 124), Z Deli Sandwiches (R. Bento Freitas, 314), Hot Pork (R. Bento Freitas, 454), Sorveteria do Centro (R. Epitácio Pessoa, 94) e Merenda da Cidade (R. Epitácio Pessoa, 98).

Rua do Bom Jesus (Recife)

Eleita em 2020 pela norte-americana Architectural Digest como a terceira rua mais bonita do planeta, a rua do Bom Jesus, no Recife Antigo, une história, cultura e boêmia no berço da capital pernambucana. Aos domingos, a via de paralelepípedos ganha vida com feiras de artesanato e iguarias típicas.
– Praça do Arsenal (Início da rua): Torre Malakoff, Paço do Frevo e Teatro Mamulengo.
– Nº 125: Ranulpho Galeria de Arte, em prédio tombado de 1871.
– Nº 163: Loja Artesanato Pernambucano.
– Nº 183: Embaixada dos Bonecos Gigantes.
– Nº 197: Sinagoga Kahal Zur Israel, primeira das Américas, erguida entre 1637 e 1644.
– Nº 237: Casa Zero e Café Do Zero.

Rua Levindo Lopes e Arredores (Belo Horizonte)

No coração da Savassi, a confluência entre as ruas Levindo Lopes e Antônio de Albuquerque virou polo magnético de novos estabelecimentos na capital mineira:
– Rua Antônio de Albuquerque: Livraria da Rua (nº 913) e Rex Bibendi (nº 917).
– Rua Levindo Lopes: Cabernet Butiquim (nº 22), Gata Gorda (nº 96), Mercado da Boca (nº 124) e Espetacular Doceria (nº 318).

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