Com poucos comandos, a inteligência artificial consegue elaborar uma ficha de musculação com exercícios, séries e repetições. A praticidade tem atraído quem busca organizar os treinos e não conta com um treinador. Mas, será que basta informar seus dados, metas e fazer o treino prescrito pela IA?
Segundo Rafael Akira, personal trainer e especialista em movimento humano, a IA pode até ajudar no planejamento e elaborar bons treinos gerais. Mas está longe do potencial de um bom profissional de educação física (de carne e osso) para acompanhar de perto o atleta, dando e recebendo feedbacks.
O que informar à IA para montar um treino?
O primeiro passo é apresentar um panorama da rotina, da experiência com exercícios e dos recursos disponíveis. Quanto mais precisas forem essas informações, mais direcionadas poderão ser as sugestões.
Rafael destaca sete pontos que devem ser considerados:
– Objetivo: o que a pessoa pretende alcançar com o treinamento. – Histórico de treino: quais exercícios já realiza e como pretende evoluir. – Disponibilidade: quanto tempo pode dedicar aos exercícios. – Cargas utilizadas: os pesos que costuma levantar. – Histórico de lesões: problemas anteriores que possam limitar determinados movimentos. – Local e equipamentos: se treina em casa ou na academia e quais aparelhos tem à disposição. – Preferências: atividades de que gosta e exercícios que prefere evitar.
“A inteligência artificial conseguiria montar um treino geral para essa pessoa e, vamos dizer, até montar bons treinos”, afirma o especialista. Mas sempre será uma sugestão elaborada a partir das informações fornecidas, sem uma avaliação direta das capacidades do praticante. Sim, tem coisas que a gente não conta e que só o treinador de verdade percebe.
O que a IA não consegue avaliar?
Uma das principais diferenças entre o acompanhamento profissional e um treino elaborado por inteligência artificial está na observação dos movimentos.
Rafael explica que, durante uma avaliação presencial, o profissional consegue analisar a mecânica dos exercícios, verificar a adequação das cargas e identificar o esforço realizado pelo aluno. “Medir exatamente o quanto o aluno está se esforçando e o quanto ele está desgastando o corpo dele em cada exercício”, aponta o especialista ao mencionar aspectos que a tecnologia não consegue avaliar adequadamente.
Essas informações fazem diferença na hora de ajustar o treinamento, tanto para alcançar os resultados desejados quanto para reduzir os riscos durante a prática.
Quais são os riscos de seguir um treino feito por IA?
O problema não está apenas nas limitações da ferramenta, mas também na dificuldade de fornecer informações suficientes para que ela consiga elaborar recomendações adequadas. “Não ter o resultado que quer, poder se machucar, e não conseguir transmitir as informações de um modo que a IA consiga fazer um treino adequado pra ele. Eu acho que esses são os maiores riscos”, afirma Rafael.
Segundo o personal trainer, seguir uma rotina incompatível com as próprias necessidades também pode significar perder tempo com exercícios que não contribuem para os objetivos desejados.
A inteligência artificial pode substituir o personal trainer?
Para Rafael, a tecnologia pode facilitar o planejamento e a organização dos exercícios, principalmente quando se trata de montar rotinas mais gerais. “Treinos básicos, gerais, ela conseguiria fazer numa boa, sem dificuldade”, avalia.
No entanto, Rafael defende seu uso apenas como ferramenta complementar. Na avaliação do especialista, o acompanhamento profissional continua importante para analisar a execução dos movimentos, ajustar as cargas e evitar que o aluno siga exercícios incompatíveis com sua experiência ou seus objetivos.
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