Trump e Milei fecham a cara para Lula 4

Trump e Milei ignoram vitória de Lula e geram alerta diplomático

Educação

Enquanto o planeta celebrou rapidamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — um costume entre as nações democráticas que costuma superar barreiras ideológicas —, duas ausências chamaram atenção: o argentino Javier Milei e o norte-americano Donald Trump se recusaram a cumprimentar o petista. Sintomaticamente, Argentina e Estados Unidos são os países em que Flávio Bolsonaro (PL) se apoiou para concretizar seu plano de fuga.

Antes deles, nomes da direita continental como José Antonio Kast (Chile), Daniel Noboa (Equador) e Abelardo de la Espriella (Colômbia) foram dos primeiros a felicitar o brasileiro.

O histórico de atritos com a Argentina

Os desentendimentos entre Milei e Lula não são recentes. O presidente brasileiro evitou saudar o colega nominalmente ao reconhecer sua vitória em 2023 e cometeu o erro político de visitar Cristina Kirchner em prisão domiciliar.

A reação do líder argentino, no entanto, extrapolou os limites da diplomacia bilateral com uma postura hiperbólica. Milei compareceu ao evento do PL que oficializou a candidatura presidencial de Flávio e, durante seu pronunciamento, proferiu ofensas contra Lula e contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar do tom inflamado, analistas observam que o comportamento argentino faz parte de um teatro político. Milei se vale de um teatro permanente, típico da direita populista, para mobilizar apoiadores. Mas, quando se trata de tomar decisões efetivas, recua. Ele não fez nada que comprometesse as relações econômicas com o Brasil, por exemplo, apesar de ter prometido em campanha que retiraria a Argentina do Mercosul.

A postura dos Estados Unidos e o cenário eleitoral

Por sua vez, o chefe de Estado norte-americano levantou suspeitas sobre a lisura do pleito brasileiro, embora tenha poupado Lula de ataques diretos e afirmado apreciar o petista. De fato, a interação direta entre ambos é boa. Grande parte das diferenças entre os dois países tem origem no Departamento de Estado, sob comando de Marco Rubio, que é particularmente sensível ao lobby dos Bolsonaros.

Trump também é um ator, mas seus posicionamentos podem esconder propósitos mais sinistros. Na próxima semana, os americanos irão às urnas para renovar o Legislativo. Pelas pesquisas, o republicano perderá maioria em uma ou mesmo nas duas Casas.

Existe o temor de que ele recuse eventuais derrotas nas urnas, denuncie fraude nas eleições e busque eco internacional para sua retórica, utilizando o processo eleitoral brasileiro como narrativa. Caso isso ocorra, novas sanções comerciais e restrições diplomáticas contra o Brasil poderiam ser decretadas.

Por fim, é digno de nota que os dois pretextos usados para questionar o processo eleitoral aqui —a extensão do horário de votação e a ordem de apreensão dos passaportes de Flávio— são fruto de decisões políticas e desnecessárias do Judiciário, que deveria zelar pela segurança e confiabilidade das instituições e da democracia.

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