Investidores injetaram mais de US$ 800 milhões (R$ 4,28 bilhões) para viabilizar a construção de arranha-céus de alto padrão em Miami. O movimento ocorre enquanto incorporadoras apostam que a cidade continuará atraindo bilionários e milionários, mesmo após a desaceleração na migração observada desde o período da pandemia de Covid-19.
A Tyko Capital, instituição de crédito privado amparada pela Elliott Investment Management, vai liberar um financiamento recorde de US$ 817 milhões (R$ 4,37 bilhões) para a execução de duas torres residenciais sofisticadas. O projeto arquitetônico contempla diferenciais como uma piscina de borda infinita com vista panorâmica para o rio Miami e um píer privativo exclusivo para os iates dos residentes.
Trata-se do maior aporte financeiro já registrado na história da Flórida para a construção de condomínios.
Atração de bilionários e mercado aquecido
Embora o fluxo migratório para o estado tenha ganhado muita força durante a crise sanitária, diversos indivíduos de alta renda não planejavam, em um primeiro momento, tornar a mudança permanente. Contudo, empreendimentos residenciais de luxo associados a grifes globais — a exemplo de Waldorf Astoria, Mercedes-Benz e Baccarat — seguem em ritmo acelerado de construção na região.
A ausência de imposto estadual sobre a renda de pessoas físicas e a decisão de Ken Griffin, fundador da Citadel, de transferir sua sede global para a localidade ajudaram a tornar a cidade “muito atraente para pessoas de alta renda”, afirmou Edgardo Defortuna, presidente-executivo da incorporadora imobiliária Fortune International Group. A empresa de Defortuna conduz o desenvolvimento das torres em conjunto com a KAR Properties.
“A essência dessa marca é realmente sentida no DNA do edifício”, afirmou Adi Chugh, presidente-executivo da Tyko Capital. Ele destacou os armários planejados e o clube exclusivo para membros como exemplos da experiência de alto padrão oferecida aos moradores.
“O crédito privado veio para ficar por muito tempo, a menos que as taxas caiam”, disse Chugh ao comentar a forma como os negócios imobiliários de Miami estão sendo financiados.
Até o momento, cerca de 45% das unidades do Faena Residences já foram comercializadas, de acordo com Defortuna. O montante inclui uma cobertura negociada por US$ 30 milhões (R$ 160,5 milhões). A entrega oficial de todo o complexo está agendada para o início de 2030.
“Há uma permanência em Miami” que não existia antes para os ricos, afirmou Chugh. “Você não vê apenas compradores latino-americanos —esse mercado agora também inclui compradores do Nordeste [dos Estados Unidos] e até da Califórnia.”
Crescimento populacional e transações recordes
A Flórida registrou uma forte entrada de novos moradores nos últimos anos. De acordo com dados do Escritório do Censo dos Estados Unidos analisados pelo Shimberg Center for Housing Studies, a média foi de 1.640 pessoas se mudando diariamente para o estado em 2022. Em 2025, a métrica recuou para 551 pessoas por dia.
Apesar da desaceleração geral no estado, o condado de Miami-Dade continuou atraindo grandes capitais. Dados da Associação de Corretores de Imóveis de Miami mostram que foram concretizadas 24 negociações de residências e condomínios por US$ 30 milhões (R$ 160,5 milhões) ou mais nos 12 meses encerrados em setembro. No ciclo anterior de 12 meses, o mesmo condado havia contabilizado 21 operações dessa magnitude.
Em regiões vizinhas, o bilionário do setor imobiliário Stephen Ross concentrou seus esforços na cidade de West Palm Beach, transformando-a em seu principal polo de investimentos por meio de um novo campus universitário e projetos residenciais de luxo.
Por outro lado, a expectativa alimentada por corretores locais de que ocorreria uma forte onda de migração de nova-iorquinos super-ricos após a vitória do socialista democrata Zohran Mamdani nas primárias para a prefeitura de Nova York não se materializou de forma imediata.
A Tyko, consolidada como uma das principais financiadoras do mercado imobiliário em Miami, também participou de outras operações de grande porte. A instituição forneceu crédito para a construção do 830 Brickell, arranha-céu comercial que hoje sedia escritórios de gigantes como Citadel, Microsoft e Thoma Bravo. Paralelamente, a Citadel ergue sua própria sede na cidade, em um investimento estimado em US$ 2,5 bilhões (R$ 13,37 bilhões).
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