A desvalorização expressiva registrada pelos papéis da Vale (VALE3) ao longo deste ano cria um cenário favorável para a realização de recompras, conforme avaliação do diretor financeiro (CFO) da mineradora, Marcelo Bacci. Os executivos da companhia debateram o desempenho financeiro durante teleconferência e coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (30), logo após a divulgação do balanço corporativo do terceiro trimestre de 2026 na noite anterior (29).
Apesar da perspectiva positiva para a recompra de ações, a alta cúpula da mineradora descartou a distribuição de dividendos extraordinários para o fechamento deste ano. A reação do mercado foi de alta, com os ativos da companhia subindo quase 5% na manhã de hoje, cotados a R$ 62,79.
Política de endividamento e dividendos
O motivo para afastar a distribuição de proventos extras já havia sido esclarecido em momentos anteriores pela gestão. Quando a dívida líquida expandida se aproxima do teto da faixa de projeções (guidance), a probabilidade de novos pagamentos extras diminui.
Atualmente, esse indicador encerrou o período em US$ 16 bilhões, enquanto o patamar exigido para viabilizar os proventos precisaria ser inferior a US$ 15 bilhões. O intervalo estipulado para a dívida expandida da empresa fica situado entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões.
“Preferimos estar um pouco no lado mais conservador para lidar com cenários mais incertos no ano que vem. Podemos discutir isso em 2027, mas essa é a decisão por agora”, afirmou o CFO.
Gestão de fretes e custos
Durante o encontro com o mercado, o presidente-executivo (CEO) da organização, Gustavo Pimenta, destacou que a corporação já assegurou suas demandas logísticas de frete para os últimos três meses de 2026 e possui mais de 80% dos contratos já firmados para o exercício de 2027. O tema tem sido motivo de atenção constante por parte dos analistas, especialmente devido à alta nos preços dos combustíveis e ao peso dessa oscilação sobre os gastos globais.
“O frete médio da Vale até agora no ano foi de US$ 22/t, menor que o frete spot. Se estivéssemos comprando o frete no preço spot, estaríamos com gasto maior anualizado que o atual”, complementou Bacci.
Reforçando as diretrizes apresentadas no relatório financeiro da véspera, a administração confirmou a manutenção das projeções (guidance) estabelecidas anteriormente. O CFO da companhia, Marcelo Bacci, considera que os custos all-in de cobre podem terminar o ano no limite mais baixo do guidance previsto e que o capex deve seguir mais próximo também do limite inferior.
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