Na contramão dos EUA, Starbucks retoma expansão no Brasil e prevê 32 novas lojas em 2026

Starbucks acelera no Brasil e projeta 32 novas lojas até 2026

Gastronomia

O mercado brasileiro de cafeterias vive um momento de reaquecimento com o avanço acelerado da Starbucks no país. A movimentação positiva marca uma superação do período de estagnação gerado pela crise de sua antiga operadora e destoa do cenário observado na matriz norte-americana, que vem promovendo um enxugamento em sua rede de pontos de venda.

Nova fase de expansão em solo nacional

Após a SouthRock entrar em recuperação judicial no final de 2023 — o que culminou no encerramento de diversas filiais —, os direitos de operação da cafeteria foram assumidos pela Zamp, grupo que também gerencia o Burger King no país. Inicialmente voltada à reorganização do negócio, a empresa apostou em lançamentos sazonais e parcerias antes de destravar novos aportes estruturais.

O ciclo de inaugurações voltou a ganhar força a partir do segundo trimestre deste ano, acumulando 20 novos estabelecimentos abertos desde então. Para 2026, a projeção subiu: o plano atual prevê a entrega de 32 novas cafeterias, superando a estimativa anterior de 30 unidades.

Hoje, a rede possui 130 lojas ativas no Brasil, distribuídas pelo Distrito Federal e por nove estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Segundo a companhia, “a Starbucks administra seu portfólio de lojas considerando as dinâmicas e oportunidades específicas de cada mercado”.

A companhia complementa o diagnóstico sobre o cenário local: “No Brasil, observamos um momento positivo, impulsionado pela expansão da presença da Starbucks e pela crescente conexão dos consumidores com a marca. O Brasil segue sendo um mercado estratégico para a Starbucks globalmente, com significativo potencial de crescimento”.

Próximos passos territoriais

Embora a presença continue amplamente focada no eixo Sudeste, a estratégia prevê explorar outras praças a partir de 2027. De acordo com a rede, “Após a retomada da expansão em Belo Horizonte e a continuidade do crescimento no Rio de Janeiro e em São Paulo, a Starbucks avalia oportunidades de expansão para novas cidades e regiões”.

Cenário adverso e reestruturação nos Estados Unidos

O ritmo de crescimento brasileiro contrasta com as medidas recentes adotadas nos Estados Unidos. Em território americano, a Starbucks fechou centenas de pontos comerciais que apresentavam baixo rendimento, volume que corresponde a cerca de 1% das 18 mil lojas em operação por lá.

As decisões integram um plano de corte de despesas que busca economizar US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) anuais até 2028. No ano anterior, a rede já havia descontinuado mais de 600 filiais deficitárias e negociado 60% de suas operações de varejo na China.

O plano “Back to Starbucks”

Sob a liderança do CEO Brian Niccol, empossado em 2024, a marca implementou a estratégia global denominada “Back to Starbucks” (“De volta ao Starbucks”). O objetivo central é resgatar a proposta original de cafeteria acolhedora, focada na hospitalidade dos baristas e no ambiente de permanência.

Entre as medidas implementadas estão a ampliação do quadro de funcionários, adoção de novas tecnologias para reduzir filas e o resgate de símbolos tradicionais. Voltaram a fazer parte da rotina os recados personalizados escritos à mão nos copos, os balcões de condimentos livres para o cliente adicionar leite, canela e açúcar, além das canecas de cerâmica com sistema de refil para quem consome no espaço.

Apesar da pressão que a reestruturação exerce sobre as margens de lucro, as medidas geraram alta nas vendas nos trimestres recentes e impulsionaram as ações da companhia, que acumulam valorização de quase 15% nos últimos 12 meses.

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