O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou durante depoimento à Polícia Federal que está preso injustamente e negou qualquer irregularidade na negociação de carteiras de crédito com o Banco de Brasília (BRB). No mesmo procedimento em que foi indiciado por suspeita de crimes financeiros, ele pediu o arquivamento do caso e declarou que um dia “as pessoas do Banco Central vão ser responsabilizadas” por supostos danos causados a sua imagem e negócios.
A oitiva ocorreu no dia 15 de setembro, durou duas horas e meia e contou com a presença da equipe de defesa do ex-banqueiro. Na ocasião, ele utilizou o tempo para contrapor os questionamentos apresentados pela delegada encarregada das investigações.
Vorcaro sustentou que a operação com o banco estatal não envolveu irregularidades e que o processo se transformou em uma questão de pressão nacional, mas pontuou que “uma hora a verdade vai aparecer”.
“Tem uma pressão de todos, eu entendo que os senhores [da PF] sofrem essa pressão também”, disse Vorcaro.
“Mas passa tudo e vai ficar na história quem tem coragem de ver a verdade. Eu estou preso injustamente por conta disso. Eu não fiz fraude nenhuma com o BRB, eu não lesei em nada o BRB. Ao contrário, eu coloquei ativo meu, coloquei ativos pessoais meus lá.”
Detido inicialmente em novembro de 2025, o empresário cumpre pena atualmente no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, espaço conhecido como Papudinha. A liquidação da instituição financeira foi decretada pelo Banco Central em 18 de novembro do ano passado.
Ao longo do interrogatório, o investigado reforçou que não cometeu delitos e lamentou estar “com a vida devassada e a família dilacerada”. Em outro trecho, enfatizou que “uma hora a verdade vai aparecer” e “as próprias pessoas do Banco Central vão ser responsabilizadas um dia”.
Indiciamento e repercussão jurídica
Na quarta-feira (28), a Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e mais 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros ligados à transferência de carteiras de crédito para a instituição do Distrito Federal.
As acusações imputadas a Vorcaro englobam gestão fraudulenta, fraude à fiscalização, lavagem de dinheiro, indução ou manutenção em erro sobre operação financeira e participação em organização criminosa. Já Paulo Henrique foi indiciado sob suspeita de gestão fraudulenta e organização criminosa.
A defesa de Vorcaro classificou o relatório de indiciamento como “açodado e afoito”, argumentando que o documento “antecipa conclusões que a própria investigação admite ainda não ter alcançado”.
Por sua vez, o advogado de Costa, Davi Tangerino, declarou que “o trabalho policial submeteu os fatos às hipóteses acusatórias, quando deveria fazer o inverso”.
O relatório elaborado pela Polícia Federal possui mais de 700 páginas e já foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). No texto, a corporação aponta que, “sob perspectiva jurídico-penal, os elementos são compatíveis, em tese, com participação em atos de gestão fraudulenta do BRB, na medida em que as sucessivas aprovações contribuíram para manter e ampliar operações bilionárias mediante postergação, flexibilização ou esvaziamento dos controles internos”.
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