Uma expedição científica realizada no mar brasileiro revelou a existência de 31 novas espécies nas águas do Atlântico Sul, descobertas divulgadas no segundo semestre.
Globalmente, a ciência descreve 16 mil novas espécies todos os anos. Trata-se do ritmo mais acelerado da história da biologia, impulsionado por inovações em tecnologias moleculares e por explorações em locais remotos, a exemplo de florestas tropicais e oceanos. O feito recente ocorreu entre Salvador e Fortaleza, em abril de 2026, com o trabalho de 30 cientistas vinculados à ONG Schmidt Ocean Institute.
A exploração da zona intermediária
O grupo utilizou recursos avançados para investigar a zona intermediária do oceano — a faixa situada entre a camada banhada pela luz solar e o leito marinho, considerada o maior e menos investigado ecossistema habitável do planeta. Essa região abrange profundidades de 200 a 1.200 metros.
A relação completa dos animais identificados é composta por:
* Um anfípode (tipo de crustáceo aparentado com caranguejos e lagostas) * Um verme do tipo “gossamer” (do gênero científico Tomopteris), também chamado de “verme-fio-de-seda” ou “verme-teia-de-fada” * Nove águas-vivas * Sete sifonóforos, organismos coloniais aparentados com águas-vivas e corais * Sete ctenóforos, famosos pelos cílios cintilantes que utilizam para nadar * Quatro larváceos, criaturas semelhantes a girinos que vivem em estruturas de muco * Dois rizários gigantes, organismos unicelulares visíveis a olho nu
Tecnologia contra a fragilidade abissal
Um dos grandes obstáculos para os pesquisadores é o fato de que diversas criaturas da zona intermediária possuem corpos gelatinosos, macios e extremamente frágeis, que costumam ser danificados por técnicas convencionais de captura com redes e jarros.
Para superar esse entrave, a equipe empregou inovações tecnológicas: uma câmara de realidade virtual e uma “máquina de gravidade”, consistente em um microscópio especializado que atua como uma esteira hidrodinâmica para a análise de microrganismos. Os instrumentos possibilitaram filmar e examinar os espécimes diretamente em seu habitat natural. Adicionalmente, um microscópio batizado de Squid garantiu um feito inédito em estudos marítimos: capturar imagens tridimensionais de estruturas celulares internas em espécimes vivos.
Dessa forma, os especialistas examinaram os animais por meio de projeções virtuais, sem qualquer método invasivo.
Além de capturar registros visuais em alta resolução com os aparelhos, o grupo realizou o sequenciamento genômico dos indivíduos coletados diretamente a bordo da embarcação Falkor, o que viabilizou a rápida identificação dos seres vivos.
Vale ressaltar que essas 31 novas espécies passaram apenas por uma identificação inicial, carecendo ainda de descrição taxonômica definitiva. O processo exige novas pesquisas e a publicação de artigos científicos submetidos a revisão por pares.
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