As abelhas operárias são capazes de dosar a intensidade de suas mensagens para não repassar informações duvidosas ao restante do enxame. De acordo com um estudo publicado no periódico científico Behavioral Ecology and Sociobiology, esses insetos modulam a coreografia utilizada para indicar recursos conforme o nível de certeza que possuem sobre a veracidade do que encontraram em campo.
Como funciona a comunicação das operárias
Para alertar suas companheiras sobre a localização exata de flores fartas, as abelhas executam movimentos específicos no formato do número oito, sacudindo o abdômen. Esse comportamento, conhecido como dança do requebrado, fornece o ângulo e a distância exata do trajeto a ser percorrido. No entanto, os cientistas procuravam entender o que acontecia quando a fonte indicada deixava de ser uma garantia confiável.
A investigação liderada por Karmi Oxman, ecologista comportamental da Universidade Hebraica de Jerusalém, apontou que quanto mais convicto o inseto está a respeito da oferta de alimento, mais enfática se torna a sua dança. O pesquisador explicou que a ideia de confiança serve para descrever o quanto a mensageira aposta na relevância de sua descoberta, funcionando como um relato em tempo real que impede a colmeia de ser induzida ao erro.
O teste prático com fontes açucaradas
Os pesquisadores montaram um experimento controlado com alimentadores artificiais abastecidos com solução de açúcar. O processo começava quando uma abelha pioneira encontrava o suprimento e retornava para guiar o grupo. A partir daí, os cientistas dividiram a resposta do ambiente em três cenários:
- Cenário honesto: o reservatório continuava cheio e as seguidoras conseguiam se alimentar com sucesso;
- Cenário falso: o recipiente era esvaziado antes da chegada do grupo recrutado;
- Cenário não verificado: as companheiras que seguiram as instruções eram capturadas antes de conseguirem retornar ao ninho.
Ao receber uma nova oportunidade de sinalizar o local na colmeia, a abelha do cenário honesto dedicou um esforço visivelmente maior, executando mais repetições de sua dança. Já nos outros dois quadros esse aumento não ocorreu, sendo que as abelhas do grupo não verificado diminuíram ativamente a tentativa de atrair colegas, demonstrando capacidade de avaliar a precisão de seus próprios alertas.
Comportamento além do automatismo
A constatação evidencia uma flexibilidade cognitiva superior à imaginada anteriormente. James C. Nieh, ecologista comportamental da Universidade da Califórnia em San Diego, que não participou do estudo, destacou que as abelhas não funcionam como pequenos robôs programados. Segundo o cientista, elas assimilam dados do ambiente externo, incluindo a confirmação do sucesso obtido pelas companheiras que responderam ao seu chamado.
Tanto Oxman quanto Nieh apontam que novas pesquisas devem investigar outros componentes envolvidos nessa troca de sinais, como pistas químicas e vibrações corporais. Aprofundar o entendimento sobre as dinâmicas sociais desses polinizadores é fundamental para orientar estratégias eficazes de preservação da espécie em escala global.
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