O clássico geracional que marcou a juventude de milhares de leitores está de volta às prateleiras após 34 anos. A obra que retratou com franqueza os dilemas da juventude nos anos 1990 retorna em uma nova edição que desperta nostalgia e convida leitores de diferentes épocas a revisitarem suas próprias memórias de formação.
Na primeira edição, publicada em 1992 pela Relume Dumará, a nota dos editores dizia: “Este livro não é sobre adolescentes. É um livro de adolescentes”. A frase pode soar hoje “chatgptzística”, mas dê um desconto — ela aponta para algo inovador naquela época. Uma adolescente conta sua vida, seus dramas, suas descobertas, os corações partidos, os medos… E sobre maconha, a primeira transa, aborto! Uma adolescente hoje conseguiria falar de aborto sem ser alvo de escrutínio nas redes sociais?
Fenômeno cultural e multiplataforma
O sucesso foi tão grande que foram vendidas mais de 200 mil cópias. Um número estrondoso tanto para a época quanto para agora. Veio a adaptação para o teatro, a série de TV, com roteiro de Domingos de Oliveira, dramaturgo e cineasta que passou a ser conhecido também como o pai de Maria Mariana. Foi ele, aliás, quem incentivou a filha a colocar no papel suas ideias. Escrever para dar dimensão às coisas que pareciam tão intensas. No novo prefácio, ela relembra:
Vejo a menina de nove anos, no recreio da escola, escrevendo, desenhando e desenhando em sua agenda tão cheia de coisas coladas que mal fechava. Ela nem sabia se vivia para escrever ou se escrevia para viver. Nada fazia sentido se não pudesse fazer parte da criatividade expressa na agenda. […] Então, sempre que precisar, releia suas próprias palavras para entender de que é feita a vida!
A nova edição também reproduz textos de Carol Machado, Ingrid Guimarães e Patrícia Perrone, que estavam na primeira montagem da peça, encenada inicialmente no porão de um teatro carioca.
Legado e os caminhos da autora
Em outras entrevistas, Mariana diz que se considera a primeira influencer: “Fui lá no palco e expus toda a minha vida. Fiz isso com objetivo de autoconhecimento”. Uma matéria de 2021 no jornal O Globo conta que, depois do sucesso estrondoso, veio o recolhimento, uma vida afastada da cidade e dedicada à família. “A adolescência dos quatro é diferente do que foi a minha, eles têm essa orientação espiritual desde cedo”, contou.
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