Base do presidente do Paraguai diz que apoiará impeachment; Câmara analisa pedido

Base do presidente do Paraguai diz que apoiará impeachment; Câmara analisa pedido

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A base governista do presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que votará a favor do pedido de impeachment contra ele na Câmara dos Deputados, cuja sessão para analisar o caso começou nesta manhã. Com a decisão, a acusação poderá ser aprovado por unanimidade.

O anúncio partiu do Partido Colorado, legenda do presidente e que governa o país, com 36 deputados. Era o último grupo do bloco que faltava se manifestar. Agora, além da oposição, também toda a base de Peña dá apoio ao impeachment, em meio denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país, com 2,9 milhões de clientes. A crise abalou o país.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, durante viagem a Caracas

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Federico Parra – 19.set.26/AFP

Aliados do presidente conservador também passaram a pedir sua renúncia nesta quinta. Em comunicado divulgado pelo deputado Rodrigo Gamarra, a bancada do Partido Colorado afirmou que, “atendendo aos reclamos da cidadania e no exercício de sua responsabilidade e autonomia política”, decidiu votar a favor do julgamento político do presidente.

A Constituição estabelece que, para dar andamento ao julgamento político com a aprovação do processo na Câmara, é necessária maioria de dois terços dos parlamentares presentes.

Nesta semana, as denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank levaram à prisão de oito pessoas ligadas à instituição financeira, protestos em frente às agências bancárias e o anúncio de fechamento do banco e do início do processo de recuperação judicial.

Os desdobramentos ocorreram no dia seguinte ao anúncio da renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, nomeado ao cargo por Peña, que foi investidor da holding do Ueno Bank até março de 2025.

Os deputados de oposição ao governo começaram a coletar assinaturas para entrada do pedido de impeachment de Peña por suposta responsabilidade no desvio de verbas públicas para o Ueno Bank.

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Na madrugada de quarta (4), o Banco Central decretou o fechamento do Ueno Bank e informou que garantirá depósitos de até o equivalente a cerca de US$ 38 mil (R$ 208,48 mil) por cliente, mas que terá prazo de 15 dias para entregar a quantia.

Na véspera, o Banco Central já havia dado início de um procedimento de resolução bancária, que bloqueia todos os ativos e passivos da instituição. A decisão levou à suspensão imediata de todos os serviços. Clientes relataram não conseguir operar em caixas eletrônicos nem acessar o banco pela internet, e milhares ficaram sem acesso ao próprio dinheiro.

O banco passava por uma deterioração de sua saúde financeira. O índice de solvência do Ueno, que mede a capacidade de uma instituição absorver perdas, caiu para 5,56%, menos da metade do mínimo regulatório do país (12%). Investigações apontaram problemas na avaliação de risco de crédito, inconsistências nas informações financeiras usadas para aprovar empréstimos e operações com empresas ligadas aos acionistas.

O caso testa a reputação que ajudou o Paraguai a se tornar um dos destinos emergentes da América do Sul para capital estrangeiro, grande parte dele do Brasil. De acordo com o Financial Times, embora a economia do país tenha crescido rapidamente e obtido grau de investimento nos últimos anos, críticos afirmam que a corrupção e a influência política sobre o Judiciário e o mundo empresarial continuam a complicar as operações.

Peña tomou posse em março de 2023, garantindo mais cinco anos de hegemonia ao Partido Colorado, que governa o país há quase 70 anos, desde a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989). A exceção foi a gestão do ex-bispo de esquerda Fernando Lugo (2008-2012), alvo de impeachment a meses de concluir o mandato em 2012.

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