Dívida externa de países em desenvolvimento atinge recorde de US$ 9,4 tri em 2025, diz Banco Mundial

Dívida externa de países em desenvolvimento atinge recorde de US$ 9,4 tri

Mercados

A dívida externa dos países de baixa e média renda subiu 5,5% e alcançou o patamar recorde de US$ 9,4 trilhões em 2025, conforme divulgado pelo Banco Mundial nesta quinta-feira (5). A instituição destacou que essas nações estão contraindo mais empréstimos e arcando com custos mais elevados para honrar esses novos compromissos financeiros.

O salto registrado no último ano representa o maior avanço anual desde 2021, período imediatamente posterior à pandemia da Covid-19. De acordo com o Relatório Anual sobre a Dívida Internacional, essa alta ameaça comprometer investimentos fundamentais em áreas como educação, infraestrutura, saúde e geração de empregos.

Em 2026, a captação de recursos por meio dos mercados internacionais de títulos continuou ativa. O cenário levantou questões críticas sobre “se os termos são sustentáveis e se o capital levantado está chegando às pessoas e aos locais que mais precisam dele”.

Juros elevados e impacto na economia

O Banco Mundial apontou que, embora o acesso ao financiamento global tenha melhorado, as nações em desenvolvimento mais pobres pagam, em média, juros de 8,2% sobre novos acordos com credores privados — a taxa mais expressiva desde 1989 —, além de 9,4% sobre novos títulos.

Por outro lado, os países que não se qualificam para empréstimentos com juros baixos ou zero juros no âmbito da AID (Associação Internacional de Desenvolvimento) arcam com uma média de 5,5% sobre novos títulos, registrando um recuo em relação aos 5,8% de 2024. O endividamento cresceu de forma mais acelerada entre os elegíveis à AID, com alta de 8,1%, chegando a US$ 1,3 trilhão em 2025.

Nesse contexto, as emissões de títulos por entidades públicas e empréstimos junto a credores privados subiram quase 35%, alcançando US$ 251 bilhões, o maior volume em cinco anos. Autoridades financeiras globais alertam reiteradamente sobre o peso do endividamento e os reflexos negativos das taxas de juros elevadas.

“O retorno dos empréstimos privados aos países de baixa e média renda é bem-vindo, mas esses países estão tomando mais empréstimos, pagando mais e, em muitos casos, destinando menos recursos para o desenvolvimento de longo prazo”, declarou Haishan Fu, estatístico-chefe do Banco Mundial.

A especialista também reforçou que “gerenciar a dívida de forma responsável significa dar a todos —incluindo as futuras gerações— a chance de prosperar.”

Pagamentos e valorização cambial

Muitos governos recorreram à emissão de novos títulos para recomprar dívidas próximas ao vencimento, estendendo prazos, frequentemente sob taxas de juros mais altas e sem diminuir de forma expressiva os saldos devedores. A demanda seguiu firme: até meados de agosto, mais de dez países já haviam superado a meta de emissões prevista para todo o ano de 2025.

No total, as nações de baixa e média renda desembolsaram US$ 1,4 trilhão em principal e juros em 2025, marcando o quinto aumento anual consecutivo nessa rubrica. O movimento foi puxado por um acréscimo de 13,7% nos pagamentos direcionados a credores privados, totalizando US$ 363 bilhões.

Entre 2022 e 2025, os países em desenvolvimento pagaram US$ 436 bilhões a mais em serviço da dívida do que receberam em novos financiamentos, embora a dinâmica tenha se invertido em 2025 com um influxo líquido de US$ 45 bilhões.

Outro fator determinante foi a forte desvalorização do dólar, que elevou o valor em dólares das dívidas denominadas em outras moedas. O movimento respondeu por mais de 28% do crescimento da dívida dessas nações, resultando em saldos maiores no final de 2025 para diversos grandes tomadores de linhas de crédito com juros reduzidos, mesmo com os pagamentos recorrentes.

Por fim, o relatório do Banco Mundial reforçou a necessidade de ampliar a transparência sobre os acordos de dívida, aprimorar padrões e sanar lacunas de dados. A instituição alertou que a entrada de novos credores, instrumentos e garantias pode dificultar a compreensão da real exposição total de um país ao endividamento.

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