Testosterona para emagrecer e ganhar músculo: o que a modulação hormonal promete e o que ela cobra do corpo

Testosterona para estética: entenda os riscos e o que diz a lei

Saúde

A busca incessante por transformações físicas rápidas popularizou a testosterona nas redes sociais, frequentemente associada ao conceito de “modulação hormonal”. As principais promessas por trás do uso desse hormônio incluem o ganho de músculo, a redução da gordura corporal, a melhora do desempenho nos treinos. Contudo, é preciso ter em mente que o Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe a prescrição de testosterona e de outros anabolizantes para fins estéticos, construção de massa muscular e aumento da performance nos exercícios.

A resolução do CFM, publicada em 2023, aponta que as terapias de reposição hormonal “estão indicadas em caso de deficiência específica comprovada, de acordo com a existência de nexo causal entre a deficiência e o quadro clínico, ou de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados”. Ou seja, tratar uma alteração hormonal não é o mesmo que recorrer aos hormônios com o objetivo de acelerar hipertrofia ou mudar a aparência física.

“É muito comum associar cansaço, dificuldade para emagrecer ou redução da libido a uma suposta queda hormonal. Mas esses sintomas também podem estar relacionados à qualidade do sono, alimentação, estresse, sedentarismo e outras condições de saúde”, diz o Dr. Renan Bosio, ortopedista com atuação em nutrologia e medicina do esporte. “Antes de pensar em reposição, precisamos investigar o que realmente está acontecendo com o organismo. Tratar um número isolado em um exame, sem considerar o contexto clínico, pode levar a intervenções desnecessárias”, completa ele.

O apelo do hormônio nas academias

A testosterona desempenha diferentes papéis no organismo, atuando na densidade óssea, na manutenção dos músculos e na função sexual. Por isso, ela costuma surgir em discussões a respeito de hipertrofia, desempenho físico e envelhecimento saudável. No entanto, a influência da testosterona na composição corporal não quer dizer que sua administração seja recomendada para quem tem níveis normais do hormônio e busca apenas mudar o corpo ou render mais nos treinos.

“A testosterona não deve ser prescrita apenas porque o paciente deseja ganhar músculos, melhorar o rendimento na academia ou recuperar a disposição. Quando utilizada sem indicação, pode provocar efeitos indesejados e comprometer funções importantes do organismo”, alerta o médico.

Reposição hormonal na menopausa

Além do universo fitness, a reposição hormonal é um tópico que também costuma ser abordado com frequência quando o assunto é cuidado com a saúde feminina, principalmente durante a transição para a menopausa. Nessa fase, as oscilações e a posterior diminuição dos níveis de estrogênio podem resultar em sintomas como alterações do sono, ressecamento vaginal, ondas de calor e suores noturnos.

Quando bem indicada e acompanhada por especialistas, a terapia hormonal na menopausa pode colaborar positivamente para o manejo desses incômodos, auxiliando na melhora da qualidade de vida. Além disso, pode agir na prevenção de perda óssea. A escolha do tratamento depende de fatores como idade, tempo desde a menopausa, histórico de saúde, presença do útero e riscos individuais.

“A menopausa é uma fase natural da vida, mas isso não significa que a mulher precise conviver com sintomas intensos sem buscar ajuda. Existem tratamentos eficazes, inclusive hormonais, mas a indicação precisa ser individualizada”, ressalta Renan.

É fundamental diferenciar essa terapia do uso de testosterona ou outros andrógenos com intenções estéticas. A reposição hormonal na menopausa não deve ser confundida com estratégias para acelerar ganho de massa ou promover emagrecimento. A indicação de testosterona em mulheres demanda avaliação especializada e é restrita a situações clínicas específicas.

Os perigos do uso indiscriminado

Usar hormônios sem necessidade é um perigo para o bom funcionamento do organismo, aumentando o risco de complicações cardiovasculares, problemas no fígado e impactos na fertilidade. A Anvisa também cita acne, queda de cabelo e alterações nas gorduras do sangue entre os efeitos possíveis. Os malefícios variam conforme a dose, o tipo de hormônio, a via de administração e as condições de saúde de cada paciente.

“Um hormônio pode ser extremamente útil quando existe indicação, mas isso não significa que seja inofensivo. O problema começa quando a reposição é tratada como um recurso estético ou uma promessa de rejuvenescimento. Doses inadequadas, associações desnecessárias e ausência de acompanhamento podem transformar um tratamento em um risco para a saúde”, destaca o ortopedista.

Caminho para a hipertrofia real

“Não podemos transformar a reposição hormonal em um atalho para resultados físicos. A construção de massa muscular depende de estímulo adequado, ingestão de nutrientes, recuperação e constância. Quando existe uma alteração hormonal verdadeira, ela deve ser tratada, mas isso é diferente de administrar hormônios em níveis elevados para acelerar resultados estéticos”, esclarece Renan.

Envelhecer com saúde não é tentar manter os hormônios lá em cima a qualquer custo. É entender do que o corpo precisa em cada fase da vida e só intervir quando houver uma indicação real. “A reposição hormonal deve ser uma decisão médica fundamentada, nunca uma tendência seguida por influência das redes sociais. O objetivo precisa ser a saúde e a qualidade de vida, não a busca por resultados imediatos”, conclui.

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *