Na véspera do primeiro dia do Enem 2026, a dieta dos candidatos ganha papel central na rotina de preparação. Como o exame é longo e exige alto nível de foco, especialistas aconselham preservar os hábitos alimentares habituais, dispensar pratos pesados e planejar com antecedência pequenos lanches para consumir ao longo da avaliação nacional.
De acordo com o médico Guilherme Domingues, nutrólogo do hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, a tensão pré-prova afeta o sistema gastrointestinal, abrindo margem para problemas como dores abdominais, gases e diarreia. Por esse motivo, ele aconselha manter a rotina normal de alimentação.
“Eu me preocuparia muito com o dia da prova mesmo, de não mudar o padrão de dieta, de não recorrer a alimentos muito gordurosos ou carboidratos muito simples, como são os docinhos”, explica Domingues.
O cardápio ideal antes do exame
Visto que o exame começa no período vespertino, o médico nutrólogo sugere almoçar mais cedo, optando por uma refeição comum, leve e, se necessário, com uma porção um pouco menor do que a ingerida habitualmente. Uma excelente alternativa consiste em um prato com arroz, feijão e uma carne magra, a exemplo de peixe ou frango. O fundamental é passar longe de frituras e receitas encorpadas, que dificultam o processo digestivo e geram indisposição durante o teste.
Para quem possui o costume de realizar uma refeição mais robusta no almoço, a indicação é seguir o mesmo padrão, apenas adaptando o horário. O jejum prolongado é tão desaconselhado quanto exagerar nas quantidades.
Opções de lanches para a sala de aula
Com duração de até cinco horas e meia no primeiro dia, o exame nacional pede lanches de fácil abertura e consumo rápido. Domingues aponta alternativas como frutas práticas (banana, pera e maçã), bebidas lácteas — incluindo as versões com adição de proteína — e barras de cereal.
A seleção deve priorizar itens que já façam parte do cotidiano do aluno. O professor Dawison Sampaio, do Grupo Educacional Farias Brito, também reforça a importância de organizar esse ponto antes de domingo.
“Não fazer testes gastronômicos no dia anterior, no sentido de não comer nada de que você não esteja acostumado, mas ao mesmo tempo não é para deixar de comer”, afirma.
Conforme a avaliação de Domingues, salgadinhos tipo chips e com muita gordura ficam de fora das recomendações. O chocolate, por sua vez, pode complicar a situação em dias de calor devido ao risco de derreter e sujar o material. A praticidade é o critério principal para que o estudante se alimente sem desperdiçar tempo de resolução.
A hidratação também figura entre as prioridades. A recomendação do nutrólogo aponta para o consumo moderado de água durante o exame, evitando excessos para prevenir saídas constantes rumo ao banheiro.
Café, energéticos e estimulantes
Os adeptos do café podem manter o volume costumeiro, mas sem elevar as doses. Embora a cafeína combata a fadiga, o consumo excessivo por quem não tem o hábito pode gerar taquicardia, palpitações ou refluxo.
Domingues desaconselha ainda o uso inédito de suplementos ou energéticos na tentativa de potencializar o raciocínio. O dia do exame não serve para testes com bebidas, vitaminas ou novas estratégias nutricionais. O cenário ideal para encarar os dois dias de prova envolve comparecer bem alimentado, hidratado e com apostas alimentares já conhecidas.
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