A década de 1980 ainda dava os primeiros passos na popularização dos computadores, período em que Apple e IBM reinavam como grandes referências do setor. No entanto, assim como ocorre atualmente em outras indústrias, empresas menores conseguiam chamar a atenção com projetos criativos. Um desses casos foi a Compaq, pioneira no segmento de computadores portáteis que consagrou linhas marcantes, como a Presario, muito presente no imaginário do público brasileiro. Depois de anos como um dos nomes mais lembrados da indústria, a marca passou por diversas transformações e hoje vive uma realidade totalmente diferente.
A empresa que desafiou uma gigante
A história da Compaq começou a ser escrita graças ao sonho empreendedor de três veteranos da indústria — Rod Canion, Jim Harris e Bill Murto, ex-funcionários da Texas Instruments. A companhia foi fundada em fevereiro de 1982 na cidade de Houston, no Texas.
Com o nome inspirado no lema “Compatibilidade e Qualidade”, a marca tinha a ambição de competir diretamente com a IBM. Naquela época, a rival era a grande referência do mercado de computação doméstica e corporativa, impulsionada pelo recém-lançado e altamente bem-sucedido IBM PC.
O declínio e o fim dos licenciamentos
Com o passar do tempo e a perda de valor de mercado, a produção de aparelhos com o selo Compaq acabou sendo descontinuada em vários países, incluindo os Estados Unidos, no ano de 2013. A partir desse momento, a HP parou de utilizar a nomenclatura principal, que passou a ser licenciada para outras empresas interessadas em explorar o peso dessa marca histórica.
Anos mais tarde, a própria HP passou por grandes reestruturações, dividindo-se em duas corporações distintas: a HP Inc., focada no mercado de PCs e impressoras (o que incluía a Compaq), e a Hewlett Packard Enterprise (HPE), voltada para servidores, redes, armazenamento e serviços.
Os acordos de licenciamento da Compaq firmados pela HP Inc. ocorreram de forma regional. Com isso, diferentes empresas adquiriram os direitos de exploração da marca em nações como México, Índia e Brasil, enquanto em outras praças a presença se tornou irrelevante ou inexistente.
No cenário nacional, a marca foi representada em 2014 pela GlobalK, responsável por lançar diversos computadores sob o nome Presario. Já em 2021, os direitos de licenciamento passaram para as mãos da Positivo Tecnologia, que demonstrou interesse em comercializar o portfólio de notebooks, desktops e computadores “tudo-em-um” da companhia.
Apesar de colocar no mercado aparelhos como o Compaq 5000 Snapdragon e o Presario 450, a Positivo encerrou o contrato de licenciamento da Compaq no final de 2024. A justificativa apresentada pela empresa envolveu uma mudança estratégica voltada para “potencializar negócios em outras marcas já existentes”, como a VAIO e a Infinix. Desse modo, há dois anos, essa antiga gigante da tecnologia já não conta mais com nenhuma presença ativa no mercado brasileiro.
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