O encontro entre Bob Dylan e o Papa Leão XIV, realizado na última quarta-feira (4) no Vaticano, chamou a atenção de muitos internautas por conta da roupa escolhida pelo músico veterano para a audiência privada.
Na foto compartilhada pelo jornal do Vaticano nas redes sociais, Dylan aparece cumprimentando o Papa enquanto usa um casaco preto e um capuz cobrindo sua cabeça, detalhe que gerou comentários e debates na internet sobre uma possível falta de respeito ao pontífice.
Um dos comentários da publicação compara a imagem de Dylan à do Imperador Palpatine, vilão da franquia Star Wars. Já outros apontaram que a lenda do Folk Rock estava parecendo um “bruxo”, um “personagem de Harry Potter” e ele foi até comparado à tradicional representação da Morte, o que foi visto por alguns como “falta de respeito” e “falta de cordialidade” com o Papa Leão XIV.
Em defesa de Dylan, alguns fãs e internautas argumentaram durante as discussões que tanto o moletom preto com capuz como a jaqueta e as luvas fazem parte da imagem do artista nos últimos anos. Confira a imagem ao final da matéria e tire suas próprias conclusões!
Reação do Vaticano e regras de etiqueta
De acordo com o jornal O Globo, o padre jesuíta Antonio Spadaro, subsecretário do Vaticano para a Cultura e a Educação e responsável pela organização da audiência, comentou que Leão XIV “não piscou os olhos” quando Dylan entrou na sala, sugerindo que a vestimenta do músico não causou surpresa ou desconforto ao Papa.
As regras de etiqueta para audiências papais, inclusive, não estabelecem restrições específicas sobre cobrir ou não a cabeça. A recomendação tradicional para visitantes homens inclui terno e gravata em cores escuras, camisa social de manga longa, calça de alfaiataria e sapatos fechados. Dylan, no entanto, manteve o visual que tem adotado em suas aparições públicas.
Evitando entrar na discussão sobre o capuz, Spadaro usou sua conta do Twitter para celebrar o “sentido histórico” do encontro entre o Papa e Bob Dylan. O religioso relacionou a reunião à música “I Dreamed I Saw St. Augustine”, lançada por Dylan em seu oitavo álbum de estúdio, John Wesley Harding (1967).
A faixa apresenta um narrador que sonha com Santo Agostinho e, ao testemunhar seu martírio, percebe que também faz parte da multidão responsável por condená-lo.
Spadaro lembrou ainda que a composição foi inspirada em uma antiga balada sobre Joe Hill, líder sindical executado por um pelotão de fuzilamento em Utah, nos Estados Unidos, em 1915. Ele escreveu:
“Dylan pôs o bispo de Hipona no lugar de Hill, transformando um grito de mobilização em uma confissão involuntária sobre nossa tendência a silenciar aqueles que nos trazem a verdade.”
Segundo o g1, o atual papa é conhecido por ser fã de Dylan. O religioso citou uma canção de protesto antinuclear de 1963 do artista, “Go Away You Bomb”, no prefácio de um livro lançado em julho deste ano.
Pope Leo XIV met with American singer-songwriter Bob Dylan in a private audience on Wednesday, November 4. pic.twitter.com/7OAJcluj0n— Vatican News (@VaticanNews) November 4, 2026
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