Volta de Marina à Esplanada testa coerência ambiental de Lula

Retorno de Marina à Esplanada desafia a coerência climática de Lula

Saúde

A COP31 começa nesta segunda-feira (9) em Antália, na Turquia, marcando mais uma cúpula internacional sobre a crise do clima. O reeleito presidente Lula chegará à cidade turca na terça-feira, desfilando como tetracampeão democrático e ostentando um papel de destaque na pauta ambiental, embora esse último título gere dúvidas.

Durante o evento, o chefe do Executivo brasileiro deverá estar acompanhado por Marina Silva, a única figura da política nacional reconhecida por líderes globais por méritos próprios. Enquanto isso, outras autoridades de peso do governo, como Rui Costa e Alexandre Silveira, tendem a passar despercebidas entre os estadistas internacionais.

Costa deixou a Casa Civil para vencer a eleição para o Senado pela Bahia, estado governado pelo PT há 19 anos, que registrou 1.570 mortes por letalidade policial em 2025 e a destruição de 176 km² de Mata Atlântica no mesmo ano. Já Silveira, ligado ao centrão, seguiu no comando de Minas e Energia, pasta responsável por alcançar recordes na extração de petróleo em 2026.

Conflito entre petróleo e preservação

O petróleo, somado ao carvão e ao gás natural — combustíveis também defendidos por Silveira —, integra o trio responsável por gerar 75% das emissões globais de gases de efeito estufa. Lula, que adora atuar na exploração do pré-sal e da margem equatorial, que vai do litoral potiguar à foz do Amazonas, chegou a chamar Magda Chambriard, dirigente da Petrobras, de rainha do Brasil.

Por outro lado, o presidente não poupa elogios a Marina Silva, que registrou marcas históricas de queda na devastação ambiental. Na Amazônia, a retração no terceiro mandato atingiu 71%, e o período de 2025/2026 marcou o menor índice da história, com 3.335 km² destruídos, enquanto no Cerrado a marca caiu para 5.516 km². Marina também concorreu ao Senado por São Paulo para puxar votos para Lula, mas acabou derrotada pelos aliados de Tarcísio de Freitas.

Os números da poluição no país

Existem motivos para celebrar a desaceleração na contribuição do Brasil para o aquecimento global. No país, as proporções de emissões diferem da média mundial: o setor energético responde por 19%, o desmatamento por 44% (frente a 11% na média global) e a agropecuária por 29%. Ao conter a devastação, a gestão petista conseguiu diminuir em 6% a participação brasileira na poluição climática em 2025.

O verdadeiro teste para a coerência ambiental de Lula acontecerá nas próximas semanas, durante a definição dos cargos para o seu quarto mandato. Rui Costa e Alexandre Silveira articulam, assim como fizeram no terceiro mandato, para barrar a permanência de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente. Caso eles mantenham influência no Palácio do Planalto, ou se a ministra não retornar ao cargo, as verdadeiras prioridades da administração ficarão evidentes, incluindo incentivos a data centers que consomem grandes volumes de água e energia limpa.

Na véspera do pleito, o debate girava em torno de quem desejava ver o Brasil em chamas. Com a oposição enfraquecida, o país correria o risco de ver descontrolados os incêndios provocados por garimpeiros, grileiros, madeireiros e fazendeiros. Sob a gestão de Lula, os danos ambientais também avançam, impulsionados pela dificuldade de conter o desmatamento diante de um Congresso mais conservador e voltado para a pecuária.

Com a vitória de Lula consolidada, resta saber se o governo conseguirá provar que as desconfianças sobre sua preferência pelos combustíveis fósseis eram infundadas.

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *