A mesa de negociações responsável pela transição política na Venezuela vai incluir na pauta a anulação das inabilitações eleitorais que atingem lideranças da oposição. A medida foi anunciada nesta sexta-feira (16) por representantes do processo, após forte cobrança da dirigente María Corina Machado para a derrubada imediata do veto imposto contra ela em 2023.
A terceira rodada de conversas começou na quarta-feira (14), momento que coincidiu com o alívio das sanções impostas por Washington contra Jorge Rodríguez, o principal articulador do regime e irmão da presidente interina, Delcy Rodríguez.
Na semana anterior, a legenda Vente Venezuela já havia solicitado formalmente o fim da punição contra María Corina, laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2025. O impedimento judicial foi o responsável por deixá-la de fora da disputa presidencial de 2024. Revelações recentes de uma ex-juíza do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) apontaram que a magistrada assinou a sanção sob coação, após a detenção militar de dois irmãos e de sua cunhada em dezembro de 2023.
Reformas institucionais e calendário
À frente da equipe de negociação opositora, Dinorah Figuera ressaltou a jornalistas que os esforços estão voltados a estruturar o caminho “a um processo eleitoral” no país, governado há 27 anos pelo movimento chavista.
“Vamos tratar, é claro, da questão das inabilitações, da recuperação das siglas dos partidos políticos e, naturalmente, vamos buscar uma data” para o pleito, pontuou Figuera logo após participar de uma conferência com profissionais do setor de saúde.
A representante destacou ainda que haverá uma reestruturação ampla do Conselho Nacional Eleitoral. A meta é consolidar, antes do encerramento de 2026, “as bases para” que a nação caminhe “para (…) um processo eleitoral”. Apesar de confirmar a realização de futuras votações, Delcy Rodríguez, que governa sob intensa vigilância e pressão do governo norte-americano, ainda não estipulou prazos.
Contexto da transição
As tratativas políticas começaram em agosto sob a mediação dos Estados Unidos, oito meses depois da detenção do ditador Nicolás Maduro durante uma incursão militar de forças americanas em Caracas.
Entre os consensos mais relevantes firmados até o momento estão a reestruturação do TSJ — historicamente criticado por atuar alinhado às diretrizes chavistas — e a cooperação mútua para liberar as reservas de ouro venezuelanas que continuam retidas em uma instituição financeira de Londres.
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