Ações de big techs sofrem maior queda semanal desde tarifaço de Trump em abril de 2025

Ações de big techs registram pior semana desde tarifaço de Trump

Mercados

As ações das big techs registraram a pior derrocada semanal desde o anúncio de tarifas feito por Donald Trump no “Dia da Libertação”, em 2 de abril de 2025. O movimento de baixa ocorreu enquanto os Treasuries vivenciaram uma de suas semanas mais fortes no ano, impulsionados pela apreensão em torno da inteligência artificial, o que levou investidores a migrarem para a segurança dos títulos públicos.

O índice Nasdaq 100 finalizou o período com retração de 5,5%, após perder 2,5% em uma sexta-feira (16). As incertezas com os aportes em IA nos Estados Unidos e a diminuição nas projeções de alta de juros nos últimos cinco pregões fizeram com que os títulos da dívida americana engatassem uma forte valorização.

O recuo nos rendimentos — que caminham na direção contrária dos preços — aliviou meses de perdas globais na renda fixa, embora o encarecimento do crédito tenha cobrado seu preço. O Russell 2000, voltado para companhias menores e mais sensíveis à conjuntura econômica dos EUA, caiu 3%, completando seis semanas consecutivas de baixa, a maior sequência negativa desde outubro de 2018.

Segundo Jim Caron, diretor de investimentos em soluções de portfólio da Morgan Stanley Investment Management, o mercado acionário corria o risco de sofrer uma “correção” liderada pelo setor tecnológico, patamar habitualmente caracterizado por uma desvalorização de 10% a partir de um pico. O Nasdaq 100 já acumula baixa de 6,9% na comparação com o recorde intradiário atingido no começo deste mês.

“Sempre que há um desempenho muito forte do mercado, como ocorreu com muitas dessas ações ligadas à IA, é preciso esperar correções acentuadas. É uma via de mão dupla”, afirmou.

Impacto nas fabricantes de chips e empresas de tecnologia

Produtoras de semicondutores e companhias de “neocloud” encabeçaram as perdas no mercado acionário norte-americano. Os papéis da CoreWeave, cujas dívidas são negociadas a patamares de ativos em dificuldades, despencaram quase 12% na sexta-feira. A Intel retraiu 5,8% e a Sandisk registrou queda de 6,8%.

O recuo generalizado na bolsa dos EUA — com o S&P 500 encerrando o dia em baixa de 1,1% — persistiu apesar da alta registrada anteriormente nos mercados asiáticos e europeus. O sul-coreano Kospi avançou 2,1%, o japonês Topix subiu 1,7% e o europeu Stoxx 600 cresceu 0,7%.

O rendimento dos Treasuries de dez anos fechou a 5,08%, uma retração de 0,16 ponto percentual na semana, configurando o maior recuo desde fevereiro. O movimento reverteu rapidamente a onda de vendas provocada pelo conflito com o Irã e pela resiliência econômica americana, que havia impulsionado os custos de captação para mais de 5,3% na semana anterior, o patamar mais elevado desde 2002.

Especialistas apontam que a recuperação dos títulos públicos refletiu a aversão ao risco. “O movimento foi impulsionado pelas preocupações dos investidores com o ciclo da IA e pelo desmonte de posições”, disse Mohit Kumar, da Jefferies.

Richard Saldanha, chefe de ações globais da Aviva Investors, avaliou que a alta dos papéis tecnológicos “de fato desafiou a gravidade por algum tempo”, mas que o encarecimento do crédito passou a cobrar sua fatura. Mesmo com a divulgação de dados na quarta-feira (14) apontando alta da inflação nos EUA para 3,7% em setembro, a demanda por Treasuries permaneceu firme, contrariando a expectativa de que o cenário pudesse forçar novas elevações de juros pelo Federal Reserve.

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