How what we see and hear feed together to help us understand emotions

Novo estudo revela como o cérebro processa as emoções humanas

Tecnologia

Durante décadas, cientistas acreditaram que o cérebro processava as informações sensoriais de rostos e vozes em áreas separadas para conseguir ler as emoções dos outros. Contudo, uma nova pesquisa publicada no Journal of Neuroscience mostra exatamente o oposto: ver uma face emotiva ativa os centros de processamento de voz do cérebro, e vice-versa.

Na rotina diária, “we don’t only see a face that is sad,” explica Stefania Mattioni, principal autora do estudo e pesquisadora de pós-doutorado em neurociência cognitiva na Universidade de Ghent, na Bélgica. “We normally also hear the sound of the person crying, for instance. So, the brain is actually structured to interact with this kind of multisensory stimulation.”

Como foi feita a pesquisa?

Para a realização do estudo, a equipe liderada por Mattioni exibiu clipes de atores retratando diversas emoções — como felicidade, nojo e medo — para 24 participantes conectados a uma máquina de ressonância magnética (RM). Enquanto alguns vídeos continham tanto a face quanto a voz dos atores, outros apresentavam apenas áudio ou vídeo isolado.

Os clipes apenas com áudio ativaram regiões cerebrais tradicionalmente conhecidas por processar rostos, enquanto os vídeos sem som ativaram áreas dedicadas ao processamento de vozes. De acordo com Mattioni, cada emoção isolada estimulou tanto a área facial quanto a vocal de maneira semelhante, independentemente de ter sido apresentada de forma visual ou auditiva. Tal capacidade pode auxiliar o cérebro a compreender situações nas quais ouvimos alguém sem vê-lo, como em uma chamada telefônica, ou o inverso.

“It seems that these regions are more guided by the emotion than by the modality,” destaca Mattioni.

Vantagens evolutivas da percepção multissensorial

O grupo de cientistas também constatou que o cérebro reage de maneira distinta quando consegue ver e ouvir alguém falando simultaneamente. “The brain is doing more than adding two inputs together,” pontua Stefania Benetti, professora assistente de psicologia e ciência cognitiva na Universidade de Trento, na Itália, que não participou do estudo. “Emotion recognition, in other words, seems to depend on a multisensory network that integrates what we see and hear.”

“From an evolutionary and behavioral standpoint, combining sight and sound provides a huge advantage,” complementa Benetti. “It reduces ambiguity and allows us to recognize emotions faster and more accurately, especially in noisy or complex environments.”

Estes achados podem, eventualmente, auxiliar especialistas no desenvolvimento de intervenções voltadas para indivíduos que enfrentam dificuldades com sinais sociais. Além disso, as conclusões reforçam investigações anteriores sobre neuroplasticidade, as quais apontam que, em pessoas com surdez congênita ou precoce, as regiões cerebrais seletivas de voz se adaptam para processar expressões faciais. Da mesma forma, em indivíduos cegos, as áreas focadas em rostos adaptam-se para decodificar expressões vocais, conforme explica Benetti. Tais regiões conseguem se adaptar justamente porque o principal objetivo delas é processar emoções, e não sentidos isolados.

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