A atriz premiada com o Emmy Christina Applegate revelou recentemente que o seu diagnóstico de esclerose múltipla (EM), recebido em 2021, estava incorreto. Embora surpreendente para o público, esse tipo de equívoco médico é mais comum do que se imagina, de acordo com especialistas da área de saúde.
A revelação foi feita durante um episódio do podcast “MeSsy”, apresentado por Applegate ao lado de Jamie Lynn Sigler — que compartilhou publicamente ter esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR) em 2016. Durante a conversa, a atriz relembrou o início dos sintomas: “Em janeiro de 2021, eu tive dormência nos dedos dos pés, e essa dormência cresceu para todas as minhas pernas”. Ela acrescentou: “E então a dor começou”.
Após passar por uma bateria de exames para investigar diferentes condições, seu médico encontrou “quase 40” lesões em seu cérebro e fechou o diagnóstico de EM.
Entendendo a condição e os desafios do diagnóstico
A esclerose múltipla é uma doença neurológica debilitante na qual o sistema imunológico do corpo ataca o próprio sistema nervoso, incluindo regiões do cérebro. Entre os sintomas mais frequentes estão fadiga, alterações de humor, tonturas, problemas de visão e dormência nos membros superiores e inferiores.
Cinco anos após o choque inicial, Applegate relatou que, após reavaliar suas ressonâncias magnéticas com o auxílio de uma “nova tecnologia”, seu médico concluiu que ela não sofre da doença. “Estou de volta à estaca zero”, declarou.
Especialistas explicam que situações assim acontecem com certa frequência. “Diagnosticar EM é um pouco como montar um quebra-cabeça”, aponta Bruce Bebo, diretor de pesquisa e assuntos médicos da Sociedade Nacional de Esclerose Múltipla. “Não existe um único teste diagnóstico que diga a você: ‘Você tem EM’.” Os sintomas da enfermidade frequentemente se sobrepõem aos de outras condições, como a neuromielite óptica, que precisam ser descartadas antes que qualquer veredito seja dado.
Embora as estimativas variem, uma metanálise recente apontou que cerca de 15% dos casos de EM analisados em estudos eram, na verdade, diagnósticos errados. As chances exatas de um engano podem oscilar dependendo do perfil do paciente e do ambiente clínico, ressalta Bebo. Thomas Flagiello, neurologista da NYU Langone, observa que estudos realizados em centros de referência — para onde pacientes já são encaminhados para investigações mais aprofundadas — podem apresentar taxas proporcionalmente maiores de equívocos.
Ainda assim, de maneira geral, “embora o erro de diagnóstico aconteça, a maioria dos casos é diagnosticada corretamente”, afirma Flagiello.
Avanços na medicina e os riscos do erro
As ferramentas de diagnóstico têm apresentado melhorias significativas. Em 2025, o Comitê Consultivo Internacional sobre Ensaios Clínicos em Esclerose Múltipla atualizou suas diretrizes para incorporar avanços recentes. Isso inclui a capacidade de identificar pistas específicas em exames de imagem, como o sinal da veia central — uma pequena veia que atravessa as lesões cerebrais — ou uma característica específica conhecida como lesão com halo paramagnético, detalha Bebo.
A identificação desses marcadores pode ajudar a reduzir falhas no diagnóstico. Contudo, atualmente, ainda é impossível eliminar totalmente a possibilidade de um engano.
Como a trajetória de Applegate demonstra, as consequências de um diagnóstico incorreto podem ser drásticas. Isso pode fazer com que um paciente receba tratamentos desnecessários ou acabe perdendo o acesso aos cuidados de que realmente precisa, alerta Bebo.
É por essa razão que acertar o diagnóstico “realmente importa”, conclui o especialista. “Quer você tenha EM ou qualquer outra condição, as pessoas que enfrentam sintomas neurológicos significativos merecem passar por uma avaliação cuidadosa.”
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