Temos direito de pedir que líderes busquem normalidade e não caos, diz Vitalino Canas

Cidadãos têm direito de exigir normalidade de líderes mundiais, diz Canas

Política

Durante a abertura do XXIX Congresso Internacional de Direito Constitucional, realizado em Brasília nesta terça-feira (20/10), o presidente do Fórum de Integração Brasil Europa (Fibe) e professor da Universidade de Lisboa, Vitalino Canas, defendeu que a população possui o direito constitucional de exigir estabilidade e equilíbrio de seus governantes diante das turbulências globais.

O evento, sediado pelo IDP, foi palco para o acadêmico português apontar que o continente europeu está novamente no epicentro de conflitos, guerras e impasses constitucionais. Em sua avaliação, a repetição de notícias negativas é fruto direto da conduta irresponsável de autoridades internacionais.

“Hoje, vivemos em um mundo de caos. E as pessoas estão ansiosas pelo regresso à normalidade, a discursos políticos normais, moderados e não irados. O retorno a dificuldades normais, se é que se pode falar nelas”, afirmou.

Para Canas, essa prerrogativa está mais ligada a preceitos morais do que a dogmas rígidos. “Temos direito à normalidade, a pedir que nossos líderes sejam normais e tratem de assuntos normais, em vez de fazer disso uma coisa caótica.”

O direito à autenticidade na era da inteligência artificial

Além da estabilidade política, o especialista chamou atenção para a urgência de preservar a autenticidade frente ao avanço acelerado da inteligência artificial generativa, tecnologia que, segundo ele, acaba ocupando espaços e limitando a criatividade e a capacidade de reflexão humana.

“Cito também o direito à autenticidade. Estamos em um mundo em que ela começa a faltar. Temos que reivindicá-la. Imagens criadas pela inteligência artificial são atentados à autenticidade”, disse Vitalino Canas.

O professor também fez um alerta sobre o uso dessas ferramentas no ambiente acadêmico, criticando a dependência excessiva por parte da comunidade escolar. “No meio em que estamos, do ensino, professores e alunos cada vez mais se entregam à inteligência artificial. Temos que buscar um mundo em que a autenticidade prevaleça sobre o artificialismo”, criticou.

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