As bolsas de Nova York registraram uma estabilização nesta sexta-feira (6), um dia após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos desencadear uma debandada dos papéis ligados à inteligência artificial, eliminando US$ 3,2 trilhões (R$ 17,6 tri) do valor dos mercados acionários americanos.
O índice Nasdaq 100, com forte foco em tecnologia, avançou 1,4%, depois de despencar 6,4% na sessão anterior, registrando seu pior desempenho diário desde a pandemia de Covid-19, em 2020. Por sua vez, o S&P 500 encerrou o dia com alta de 0,3%, após uma queda de 4,4% na véspera.
A onda de vendas ocorreu porque os investidores temiam que os democratas pudessem dificultar o desenvolvimento de data centers, uma infraestrutura fundamental para sustentar o avanço da inteligência artificial. O tema se tornou altamente sensível para o eleitorado americano, com promessas de desaceleração na expansão dessas instalações.
Apesar da reação positiva em alguns papéis, parte do mercado permaneceu abalada. Nesta sexta-feira, o S&P 500 recuperou menos de 10% dos 334,89 pontos perdidos na sessão anterior. Historicamente, desde 1928, o índice recupera em média cerca de 46% após tombos superiores a 4%, o que evidencia a fragilidade da atual recuperação.
“O movimento de ontem foi estranho —e bastante assustador”, disse Ajay Rajadhyaksha, presidente global de pesquisa do Barclays, para quem o resultado das eleições não justificava a magnitude da liquidação. Ele apontou que o recuo foi impulsionado por vendas forçadas de fundos hedge que haviam apostado em inteligência artificial, cujo desmonte de posições intensificou o movimento.
O resultado da eleição no Texas, um importante polo de data centers e vencido pela democrata Gina Hinojosa, esteve no centro do pânico inicial. Contudo, os mercados se acalmaram depois que Hinojosa esclareceu que a moratória planejada para a construção dessas estruturas afetará apenas novas licenças e terá caráter temporário, sem impactar as obras já previstas para 2027.
Com o arrefecimento dos ânimos, a Nvidia subiu 2,8% após despencar mais de 9% na quinta-feira —quando perdeu mais de US$ 400 bilhões (R$ 2,2 tri) em valor de mercado. Já a fabricante de chips Micron avançou 5,1%, recuperando parte da perda de mais de 17% registrada no dia anterior.
Para alguns especialistas, a magnitude da queda anterior tornava o repique bastante provável. As perspectivas econômicas e os lucros corporativos nos Estados Unidos “não haviam mudado o suficiente para justificar a liquidação de ontem”, avaliou Arun Sai, estrategista sênior de múltiplos ativos da Pictet Asset Management, acrescentando que não se surpreenderia com novas compras na baixa até o fim do ano.
Ainda assim, vozes no mercado defenderam cautela. “Talvez o mercado esteja certo, no fim das contas, em seguir em frente sem grandes preocupações, mas a velocidade com que analisou e explicou o ocorrido ontem não me parece razoável”, afirmou Mike Zigmont, do Visdom Investment Group. “Deveria haver mais cautela.”
Reflexos globais Enquanto Wall Street tentava se recuperar, os mercados da Ásia e da Europa fecharam em baixa, refletindo o impacto da véspera. No Japão, o Nikkei 225 despencou 6%, marcando sua pior queda diária desde o início da guerra comercial iniciada por Donald Trump em abril de 2025.
Na Coreia do Sul, o Kospi, índice fortemente concentrado em tecnologia e fabricantes de chips, também tombou 6%. Na Europa, onde os mercados não contam com o mesmo peso de gigantes tecnológicas dos EUA e da Ásia, o recuo foi mais moderado: o Stoxx Europe 600 encerrou o dia em baixa de 1,1%.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
