As autoridades policiais apreenderam nesta terça-feira (3) um adolescente de 16 anos investigado pelo envolvimento na morte do engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, ocorrida em Santos, no litoral de São Paulo. No total, a Polícia Civil já mapeou nove pessoas suspeitas de participação no crime, grupo que é composto por dois adultos e sete menores de idade.
Logo após prestar depoimento, o jovem foi transferido para a Fundação Casa, ficando sob a custódia da Justiça. O caso foi registrado oficialmente no 3º Distrito Policial de Santos, de acordo com informações da SSP (Secretaria da Segurança Pública). Até o momento, a defesa do menor não foi localizada.
O grupo investigado inclui adultos de 18 e 19 anos, além de adolescentes com idades entre 14 e 17 anos. O inquérito policial está sob a responsabilidade conjunta do 3º e do 4º DPs de Santos, bem como da 3ª Delegacia de Homicídios da Deic, contando com o suporte técnico do Noad (Núcleo de Observação e Análise Digital).
Dinâmica do crime e investigação
O engenheiro Marcelo de Oliveira Rocha foi violentamente agredido e assaltado na madrugada do dia 24 de outubro, no bairro Vila Mathias. Ele havia ido a uma apresentação da Banda Esquerdantina, evento realizado em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em um determinado momento da madrugada, o profissional se afastou dos colegas para ir ao banheiro. Como a demora se estendeu, os amigos decidiram procurá-lo e o encontraram já caído no chão.
Um trecho da violência foi gravado e transmitido ao vivo por meio de uma rede social. O vídeo registra o momento em que os agressores cercam a vítima e anunciam o roubo de um aparelho celular. Mesmo tentando fugir, Rocha foi alcançado, espancado e desmaiou.
Após o socorro inicial na Santa Casa de Santos, ele precisou ser transferido na noite de 25 de outubro para o Hospital São Paulo, localizado na capital paulista. A instituição médica registrou que o paciente chegou com fraturas cranianas e traumatismo craniano grave, tendo a morte cerebral confirmada no dia posterior.
O episódio é tratado oficialmente como latrocínio — roubo seguido de morte —, uma vez que o celular e pertences pessoais foram levados pelos criminosos. Em outubro, a polícia afastou qualquer hipótese de motivação política ou homofobia, embora inicialmente a banda musical tivesse levantado suspeitas sobre um possível crime de ódio.
Estudante de mestrado na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Rocha teve sua morte lamentada pela instituição, que cobrou rigor das autoridades na investigação. Respeitando a decisão da família, os rins, o pâncreas, o fígado e as córneas do engenheiro foram doados.
“A única cobrança que eu quero é que esses marginais sejam presos. Não vou sossegar enquanto não for feita justiça”, disse o pai, Marcelo Rocha, à Folha.
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