Apesar de carregar a proposta de conectar o público paulistano às raízes andinas e amazônicas, o restaurante Ama.zo, localizado na região central de São Paulo (Av. Higienópolis, 618; @amazoperuano), recebeu classificação de duas estrelas (regular). A experiência gastronômica no local acabou não sustentando o compromisso expresso logo na abertura de seu cardápio, onde se afirma que ali “um peruano se sente no Peru e o brasileiro é convidado a viajar sem sair da mesa”.
O espaço físico, principalmente o agradável quintal anexo ao shopping Higienópolis, cria uma atmosfera bastante convidativa e superior ao salão interno para explorar a gastronomia chifa e os insumos da Amazônia peruana. Contudo, as falhas de execução culinária e o atendimento em dias cheios prejudicaram a experiência.
Descompasso no serviço e entradas
Em uma primeira refeição realizada durante um feriado, o atendimento alertou de imediato que os pedidos enfrentariam atrasos incomuns, com entradas frias levando em torno de 40 minutos. Ao tentar pedir os tacos de chicharrón de barriga de porco frita (R$ 55), veio a notícia de que o item estava esgotado. A alternativa escolhida foram os tacos acevichados (R$ 66).
Surpreendentemente, o prato surgiu em meros três minutos, após ter sido recusado pelos clientes da mesa vizinha e redirecionado. Na degustação, os cubos de peixe com maionese acevichada e guacamole pecaram pela falta de frescor. Além disso, as massas das tortillas estavam amolecidas e excessivamente úmidas em vez de crocantes como anunciava o menu, indicando uma montagem feita com antecedência indesejada.
Pratos principais e sobremesas da primeira visita
O prato principal seguiu um tempo de preparo adequado. Servido em panela de ferro, o arroz com pollo (R$ 95) trouxe arroz cremoso preparado com cerveja e coentro, ovo de gema mole e cortes de frango. Os corações de frango tinham bom ponto e interior rosado. No entanto, o confit de frango assemelhava-se a uma carne apenas grelhada, sem a textura nem a cocção lenta e em baixa temperatura características da técnica. Somado a isso, o aïoli de urucum sobrecarregou o prato em sal e cremosidade.
No encerramento, o tres leches (R$ 38) veio guarnecido com sorvete de caju e pisco, cardamomo e cumaru. Longe da maciez untuosa tradicional da receita, a montagem apresentou gelato sobre um creme denso e uma base de bolo ressecada, dominada por notas excessivamente alcoólicas e sem a presença das especiarias.
A prova do menu-executivo
De segunda a sexta-feira, o almoço da casa conta com menu-executivo a R$ 85, composto por entrada, prato principal e sobremesa. A opção de entrada, o minicroquet de pollo, entregou apenas uma unidade individual bem frita e com bom contraste de textura, mas com tempero tímido.
A etapa principal foi o chaufa y panceta, arroz frito preparado na wok com repolho roxo, brócolis, vagem e uma dose generosa de pimentão vermelho. O arroz exibiu grãos soltos e textura firme corretos. A pancetta, embora apresentasse uma cobertura laqueada agridoce em molho teriyaki e carne macia, carecia da umidade e suculência essenciais à barriga suína. Tiras finas de couve frita completavam a apresentação.
Para finalizar, a sobremesa combinou sorbet de jabuticaba, doce de leite e praliné. O contraste térmico e a fusão da acidez da fruta com a doçura aveludada funcionaram bem, atenuando os taninos. O tropeço ficou por conta dos pedaços de praliné, excessivamente duros e graúdos, que dificultaram a mastigação. No balanço geral, a casa ficou devendo em rigor técnico, frescor e intensidade de sabores amazônicos.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
