A realização de manifestações estudantis em apoio à reeleição de Lula (PT) levou diversas universidades brasileiras a ampliarem suas medidas de segurança após uma série de ameaças contra a comunidade acadêmica. O cenário de tensão também mobilizou o Ministério da Educação (MEC), que solicitou providências à Polícia Federal (PF).
Na quinta-feira (8), o titular da pasta, Leonardo Barchini, anunciou que acionaria o setor de crimes cibernéticos da PF para apurar intimidações virtuais. Segundo o representante, denúncias trazidas por reitores, docentes e alunos acenderam o alerta do Executivo para o risco de escalada na violência eleitoral. A mobilização nos campi começou logo após o resultado do primeiro turno no domingo (4), visando a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL) marcada para o próximo dia 25.
Casos e indiciamentos no Rio de Janeiro
Na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, a PF recebeu imagens de conversas no grupo “Juntos com Bolsonaro”, canal não oficial da campanha do candidato. Os registros mostravam planos para atear fogo à universidade durante a madrugada, além de agressões físicas e o esfaqueamento de uma liderança do movimento estudantil. Duas pessoas já foram indiciadas nesta sexta-feira (9). A administração da UFF solicitou apoio à Prefeitura e reforçou a vigilância dos campi.
Em Campos dos Goytacazes, na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), mensagens de WhatsApp no grupo “Campistas com Bolsonaro” citavam espancamentos de alunos de esquerda e o uso de explosivos no restaurante universitário. O caso foi registrado na Polícia Civil pelo diretório municipal do PT e pelo Sindicato dos Petroleiros. A polícia colherá depoimentos, e a reitoria determinou apurações internas para resguardar o público acadêmico.
Tensão em Minas Gerais e confronto em São Paulo
Em Belo Horizonte, estudantes de direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) relataram intimidações de furtos, roubos e violência física voltadas a um ato nesta sexta-feira. O conteúdo, repassado em grupos opositores ao candidato petista, motivou um boletim de ocorrência por parte do deputado federal Rogério Correia (PT-MG).
Ainda no estado, na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), um graduando denunciou ter sofrido ameaça de morte após publicar um vídeo sobre as eleições, registrando a queixa na polícia. Já o Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) recorreu à PF após identificar mensagens de teor violento em aplicativo.
O ambiente hostil atingiu também instituições privadas. Na Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital paulista, o grupo Caça aos Comunistas promoveu atos contrários aos estudantes pró-Lula na noite de quinta-feira, na rua Maria Antônia. Usando camisas da seleção brasileira, os manifestantes entraram em confronto verbal e houve tentativas de agressão corporal, exigindo a intervenção policial.
Ocorrências no Sul, Nordeste e investigações paralelas
No Paraná, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) ativou um plano de contingência após mensagens mencionarem a intenção de “jogar bomba na manifestação do PT na UEL”. A direção reforçou que o espaço universitário permanece aberto a manifestações pacíficas de todas as correntes políticas.
Em Sergipe, um policial militar de folga interrompeu uma concentração em frente à Universidade Federal de Sergipe (UFS) portando arma de fogo. A Secretaria de Segurança Pública recolheu o armamento, afastou o agente do serviço operacional e apura informações sobre supostos disparos. Ninguém se feriu.
Na Região Sul, o Ministério Público Federal instaurou procedimento para investigar tumultos e intimidações causados pela entrada de integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Por fim, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) pediu o apoio da PF para rastrear mensagens ameaçadoras contra a comunidade. Paralelamente, investigadores apuram a origem do incêndio ocorrido na quarta-feira (7) nos laboratórios da instituição; até o momento, não há evidências que liguem o fogo a atos criminosos ou às intimidações virtuais.
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