Se o escritor Gil Pender, personagem do filme “Meia-Noite em Paris”, entrasse em um carro desconhecido e desembarcasse na Belém (PA) do fim do século 19, provavelmente ficaria tão empolgado como nas cenas da produção de Woody Allen que retratam a belle époque parisiense.
Naquela época, a capital paraense participava do auge do ciclo da borracha (1890-1910) no Brasil e o clima de boemia era similar ao da metrópole francesa —uma cidade que vivia um período de efervescência cultural, tecnológica e científica.
Essas referências são evocadas pelo Belle Époque, bar em Pinheiros em que a coquetelaria clássica e algumas receitas de boteco encontram ingredientes amazônicos como jambu, tucupi (líquido fermentado extraído da mandioca-brava), maniva (folha moída da mandioca) e pimenta-de-cheiro. O endereço já funcionava como bar, mas reabriu em fevereiro incorporando influências paraenses, estado de origem dos novos proprietários —uma carta com clássicos da coquetelaria também é oferecida.
Além do que é servido nos copos e nos pratos, o salão com iluminação amarela, móveis de madeira escura, tapetes estampados, quadros e fotos antigas também ambienta os visitantes na Paris —ou na Belém— da belle époque.
O jambu, presente nas criações etílicas e nas receitas comestíveis da casa, é uma planta tradicional da culinária amazônica que provoca sensação de formigamento na língua e nos lábios. A missão de combiná-lo aos drinques ficou com o bartender Edinelton Melchior, enquanto Júnior Venturieri, um dos sócios, ficou encarregado da cozinha.
Coquetelaria autoral e petiscos
Entre as opções de coquetéis autorais está o jambu verão (R$ 38), que leva, além da cachaça de jambu, xarope de maracujá e manjericão e suco de limão. Finalizado com uma dose de água com gás, o drinque fica um pouco cítrico e frutado.
Já o encontro das águas (R$ 38), batizado com o nome da junção dos rios Negro e Solimões, é um coquetel de perfil amargo e terroso, composto por Cynar, vermute tinto, bitter e cachaça de jambu em uma fórmula semelhante à do negroni.
O perfume da bota (R$ 38) fecha a seção de drinques autorais à base de cachaça de jambu. Ele combina o doce do xarope de morango e do Lillet (aperitivo à base de vinho), com o ácido do limão e o formigamento provocado pelo jambu.
O endereço ainda oferece ao cliente a possibilidade de pedir um coquetel elaborado a partir das suas preferências —com perfil mais doce, amargo, seco ou cítrico. Clássicos também podem ganhar toques da casa.
Quanto aos preparos da cozinha, um dos destaques é o bolinho de maniçoba (R$ 65, cinco unidades). A receita transforma em petisco um tradicional cozido na região amazônica feito com folhas de mandioca e carne de porco. De casquinha crocante e interior firme, ele é servido com molho feito de pimenta-de-cheiro, tucupi e flor de jambu —a pequena parte da planta é a que tem sabor mais pungente.
Para quem precisar de uma refeição com mais substância antes de experimentar os drinques, recomenda-se a costelinha suína ao molho de chili e jambu (R$ 74). Servido quente, o prato combina inspiração asiática e amazônica ao usar molho de ostra com flor de jambu para envolver pedaços de carne e palitos de mandioca, numa combinação caldosa e crocante.
A flor de jambu também aparece no chutney de manga que acompanha o bolinho de arroz (R$ 59 cinco unidades).
Programação musical
O Belle Époque também tem programação musical com apresentações de soul music às quintas-feiras, com ingressos que custam R$ 30 e podem ser revertidos em pedidos. Já às sextas-feiras e sábados, o bar promove shows com um trio de jazz, por R$ 20 a entrada.
Serviço: Belle Époque R. Mourato Coelho, 575, Pinheiros, região oeste. @belle_epoquesp
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