Na hora de escolher uma atividade física, a gente pensa em academia, corrida, futebol, Pilates. Golfe? Nem entra na lista. O esporte, muitas vezes, é associado a um público de elite, a clubes fechados e a equipamentos caros. Tanto que, em um país com mais de 200 milhões de habitantes, a Confederação Brasileira de Golfe estima cerca de 20 mil praticantes regulares e 117 campos. Para entender o que está por trás dessa modalidade que parece tão “misteriosa”, participamos de uma aula para iniciantes.
O palco da nossa experiência foi o Natureza Eco Lodge, em Vargem Alta, no Espírito Santo, que fica integrado à Reserva Águia Branca, unidade de conservação ambiental cercada por lago e muito verde.
Entendendo o básico do golfe
O objetivo do golfe é acertar a bola em todos os buracos do campo com o menor número possível de tacadas. Um percurso completo de 18 buracos costuma levar cerca de quatro horas, e o de 9 buracos, mais ou menos a metade disso.
O jogador pode levar até 14 tacos na sacola, e cada um serve para uma distância ou situação. O driver, por exemplo, é o taco das tacadas longas, de saída. Já o putter é ideal para quando a bola já está perto do buraco, no green – aquela área de grama baixinha e bem aparada onde fica a bandeira -, uma vez que possibilita mais precisão.
Cada buraco tem um número de tacadas considerado ideal, o chamado par. Se o jogador termina o buraco com uma tacada a menos que o par, faz um birdie. Com uma a mais, é um bogey. No golfe, ganha quem fecha o percurso com o menor número total de tacadas.
Muito além de bater na bolinha
Quem olha de fora até pode achar que “ah, o golfe é só bater na bolinha com força que ela vai longe”. Mas a verdade é que o esporte demanda muito mais do que a gente costuma imaginar.
Desde a escolha do taco certo até o posicionamento do corpo, cada detalhe conta – por isso, é necessário visão estratégica, concentração, planejamento e capacidade de tomada de decisões. A leitura do ambiente, por exemplo, é um fator que não deve ser esquecido. Você precisa observar o vento, a inclinação do terreno, a distância até a bandeira e os obstáculos pelo caminho.
O swing – principal gesto técnico do golfe – parece simples, mas é uma sequência coordenada que envolve o corpo todo. Ele começa com a subida do taco (o backswing), segue com a descida em direção à bola, passa pelo momento do impacto e termina no acompanhamento do movimento depois da tacada, o follow-through. Tudo isso com o quadril, o tronco, os ombros e os braços trabalhando em sintonia.
Quando você não recorre aos famosos carrinhos de golfe, a caminhada pelo campo funciona como um aeróbico de baixo impacto, que pode favorecer o gasto energético e estímulo da parte cardiovascular. Uma rodada completa de 18 buracos pode levar o praticante a percorrer a pé entre 8,7 e 11,25 quilômetros.
A mente também participa da partida, e precisa estar ali por inteiro. “Quando você entra no campo, o ideal é deixar o que está fora lá fora e focar só no que está ocorrendo na partida”, comenta Rodrigo de Paula, professor de golfe do Natureza Eco Lodge. Pensamentos agitados demais podem atrapalhar o olhar e o foco como um todo. A tacada acontece sem pressa, e qualquer distração pode interferir no resultado.
No dia seguinte à aula, o corpo cobrou, e as dores musculares surgiram, principalmente nos membros superiores e no abdômen. Faz sentido: a cada rotação, essas regiões atuam juntas para gerar potência e, ao mesmo tempo, manter a estabilidade. De longe, o golfe parece um programa “tranquilo”, daqueles em que a gente anda devagar, bate na bola e conversa. Contudo, uma hora de aula bastou para provar o contrário.
O que a ciência diz sobre o golfe
Se você pensa que golfe é só ficar parado esperando para “bater na bolinha”, saiba que está subestimando o esporte. Há estudos científicos que mostram que a atividade é poderosa para certos pontos, com destaque para a saúde cardiovascular, o equilíbrio e a longevidade.
Um estudo publicado no Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports analisou cerca de 300 mil golfistas suecos cadastrados na federação do país e encontrou uma taxa de mortalidade 40% menor do que a da população geral de mesma idade, sexo e condição socioeconômica, o que equivale a cerca de cinco anos a mais de expectativa de vida. Esses impactos positivos foram atribuídos especialmente a fatores como exposição à natureza, interação social, combate ao estresse, prática aeróbica sustentada e desafio cognitivo constante. Os autores ressaltam, porém, que outros aspectos, como um estilo de vida geral mais saudável, podem ajudar a explicar o resultado.
Uma revisão divulgada no British Journal of Sports Medicine, conduzida por pesquisadores da Universidade de Edinburgh, analisou 301 estudos. A conclusão é que o golfe proporciona atividade física de intensidade moderada e está associado a benefícios como melhora dos perfis cardiovascular, respiratório e metabólico.
O documento aponta que é esperado que o golfe seja vantajoso para evitar e tratar condições crônicas, incluindo diabetes tipo 2, doença cardíaca isquêmica, acidente vascular cerebral e alguns tipos de cânceres. Nele, também são indicadas pesquisas que enfatizam a contribuição do esporte para o equilíbrio e a prevenção de quedas. Além disso, ainda destaca que os benefícios são maiores para quem caminha pelo campo em vez de usar o carrinho.
Quanto às repercussões do golfe regular em específico na parte mental, as evidências são mais tímidas. Existem bons indícios, porém ainda faltam investigações para mensurar o tamanho desse efeito. Entretanto, vale lembrar que se mexer, no geral, é um dos melhores recursos para cuidar das emoções, sendo que a atividade física auxilia no alívio do estresse, da ansiedade e de sintomas depressivos.
Serviço
* Local: Natureza Eco Lodge, Alto Castelinho, Vargem Alta (ES)
* Endereço: Rodovia ES-164, Km 303,5, Alto Castelinho, Vargem Alta – ES
* Contato: (28) 99966-9580 / natureza@reservaaguiabranca.com.br
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