A borra de café virou a queridinha de quem cultiva orquídea em casa. Só que o resto do coador nem sempre combina com raízes aéreas e substrato de casca de pinus. Seca e em pouca quantidade, ela devolve nitrogênio ao vaso. Em excesso, compacta o substrato, segura umidade e abre caminho para fungos.
O que a borra de café oferece para a planta? A borra de café tem nitrogênio, potássio e um pouco de fósforo, nutrientes ligados ao crescimento de folhas e raízes. Ela também é levemente ácida, condição que agrada à maioria das espécies cultivadas em vasos dentro de casa. O detalhe é que esses nutrientes não ficam disponíveis de imediato. Os microrganismos do substrato precisam decompor o pó antes de a planta aproveitar alguma coisa. Por isso o efeito é lento e discreto, bem diferente de um fertilizante NPK com fórmula balanceada para floração.
Como a raiz da orquídea reage ao excesso de umidade Boa parte das orquídeas vendidas no Brasil, como a Phalaenopsis e a Cattleya, é epífita. Na natureza, essas plantas vivem presas a troncos, com raízes cobertas pelo velame, uma camada esponjosa que absorve água e precisa secar entre uma rega e outra. Por isso a borra molhada no vaso costuma causar estes problemas: – Compactação do substrato, porque o pó fino entope os espaços entre as cascas e o carvão – Raízes apodrecidas, já que o vaso passa a demorar mais para secar – Mofo branco na superfície, comum quando a borra vai para o vaso ainda úmida – Mosquinhas-do-fungo, atraídas pela matéria orgânica em decomposição
Quando o adubo caseiro com borra dá resultado O adubo caseiro de borra funciona quando entra como complemento, e não como a adubação principal. A pesquisadora Linda Chalker-Scott, da Universidade Estadual de Washington, examina o que a ciência realmente comprova sobre os usos populares da borra de café, como adubar, acidificar e aerar o solo, na publicação Using coffee grounds in gardens and landscapes, da WSU Extension. Vale lembrar que muitas dessas vantagens são mais crença popular do que fato comprovado, e que o pó fino tende a compactar em camadas grossas, sobretudo em vasos de orquídea. Antes de tudo, seque o pó ao sol ou espalhado em uma assadeira por alguns dias, até ficar solto e sem cheiro de fermentado. Uma colher de chá rasa por vaso médio, a cada 30 ou 40 dias, é uma referência prudente; observe como a planta responde. Muitos orquidófilos preferem passar a borra pela compostagem antes de levá-la ao vaso. Curtida junto com cascas de frutas e folhas secas, ela perde parte da cafeína e vira um composto mais estável. Esse material pode ser espalhado em pequenas porções sobre o substrato, longe do colo da planta.
Em quais situações é melhor deixar o café de lado? Em alguns momentos, qualquer adubação extra atrapalha mais do que ajuda. Observe a planta antes de colocar borra no vaso e evite usá-la nestes casos: – Planta recém-replantada, com raízes ainda se recuperando do manuseio – Vaso com musgo esfagno, que já retém muita água – Orquídea doente, com folhas murchas ou manchas escuras – Ambientes pouco ventilados, como banheiros sem janela – Período de repouso, logo depois da floração
Outras formas de nutrir sem sufocar as raízes Para variar o adubo caseiro, dá para usar farinha de ossos, rica em fósforo e útil antes da floração, ou água de casca de banana em doses pequenas. Os dois seguem a mesma lógica da borra: pouca quantidade, aplicações espaçadas e nunca sobre raízes encharcadas. No dia a dia, a regra mais segura é observar a resposta da planta. Raízes verdes e firmes, folhas rígidas e brotos novos mostram que a adubação está no ponto. Se aparecer mofo ou cheiro azedo, retire a borra de café, troque a camada de cima do substrato e espere a orquídea se recuperar antes de tentar de novo.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
