O político francês Jean-Luc Mélenchon apresentou neste sábado o seu programa presidencial para 2027 durante um comício realizado em Le Bourget, na região metropolitana ao norte de Paris. Aos 75 anos, o principal nome da esquerda no país criticou duramente a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e as “guerras americanas”, enquanto prometia uma forte recuperação econômica baseada em medidas de estímulo.
Diante de aproximadamente 17 mil simpatizantes, conforme dados divulgados pelo diretor de campanha Manuel Bompard, o líder da legenda anticapitalista França Insubmissa (LFI) garantiu que seu governo adotará uma postura oposta à da gestão do atual presidente Emmanuel Macron. “Vamos fazer exatamente o oposto — ou seja, uma política de estímulo”, declarou ele no evento.
“Primeiro, por meio dos gastos do consumidor, pois, em nosso país, isso representa mais da metade da atividade econômica. E, em segundo lugar, por meio dos bilhões (de euros) que já existem. São economias que devem ser direcionadas para as necessidades ecológicas e sociais do nosso país.”
As pesquisas de sufrágio recentes apontam que Mélenchon figura como o oponente mais competitivo do campo progressista, com projeções indicando sua ida ao segundo turno das eleições marcadas para abril próximo contra Marine Le Pen, da extrema direita — embora os levantamentos também mostrem uma eventual derrota dele na etapa final. O manifesto lançado leva o título de “L’Avenir en commun” (“Um Futuro em Comum”) e representa a quinta edição oficial do programa da LFI, mantendo as diretrizes de suas disputas anteriores pelo Palácio do Eliseu.
Principais propostas econômicas e sociais
Entre os pontos centrais da plataforma está a revogação imediata da reforma da previdência aprovada por Macron, medida que elevou progressivamente a idade mínima de aposentadoria de 62 para 64 anos para equilibrar as contas públicas. O partido planeja restabelecer o direito à inatividade aos 60 anos para trabalhadores que tenham acumulado 40 anos de contribuição.
Para combater a crise no custo de vida, o candidato defende ações urgentes como “congelar os preços, aumentar o salário mínimo e indexar os salários à inflação”. O projeto do LFI estipula elevar o salário mínimo mensal líquido dos atuais cerca de 1.480 euros para 1.700 euros (equivalente a 1.890 dólares), além de extinguir o imposto único sobre rendimentos de capital, taxar mais fortemente as famílias de maior renda e tabelar preços de alimentos básicos.
Política externa e energia
No setor internacional, o programa reforça a oposição histórica de Mélenchon à Otan, defendendo o desligamento progressivo da França da organização militar, a começar pelo abandono do comando integrado da aliança. “Não temos nada que estar na Otan, nem nas guerras americanas”, afirmou Mélenchon. “A França deve construir uma frente global de países não alinhados.”
Em relação à matriz energética, o texto propõe o desmantelamento paulatino da energia nuclear para transição a um modelo 100% renovável. Isso engloba a anulação do programa EPR2 — que previa a construção de reatores nucleares de nova geração subsidiados pelo Estado — e a interrupção da operação das usinas atuais assim que completarem 60 anos de funcionamento.
Por fim, o manifesto direciona críticas à condução econômica da União Europeia influenciada pela Alemanha, apontada por Berlim como promotora de dogmas baseados em rigidez fiscal, controle inflacionário e autonomia do Banco Central.
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