A farmacêutica Hypera Pharma anunciou nesta terça-feira (27) que seu lucro líquido das operações continuadas alcançou R$ 527 milhões no terceiro trimestre, registrando uma expansão de 16,1% em comparação ao mesmo período de 2025.
O balanço financeiro apontou uma receita líquida de R$ 2,44 bilhões, o que representa um acréscimo de 9,4% ante o terceiro trimestre do ano passado. De acordo com a empresa, o desempenho positivo decorre da melhora nas vendas realizadas pelo varejo farmacêutico e do início da comercialização do Semavy, a alternativa da marca baseada em semaglutida injetável — princípio ativo amplamente conhecido por estar presente no Ozempic e no Wegovy, fármacos indicados para o controle da obesidade e do diabetes tipo 2.
Sucesso de vendas no primeiro mês
Dados divulgados pela consultoria IQVIA e destacados pela própria empresa no relatório mostram que, em setembro, mês de estreia da caneta emagrecedora no mercado, aproximadamente 93 mil unidades foram comercializadas para o consumidor final.
Conforme a corporação, esse montante equivale a mais de 11% de participação no mercado de semaglutida injetável em número de unidades. Ao longo do mês, o medicamento esteve presente em mais de 18 mil farmácias e pontos de venda.
A avaliação da Hypera é de que a chegada do Semavy impulsionou uma alta de 11,3% no mercado total de semaglutida injetável em setembro, quando comparado a agosto. A apresentação da caneta de 1 mg chegou ao mercado com preços variando de R$ 676 a R$ 697.
Projeções elaboradas pelo Itaú BBA indicam que o novo produto tem potencial para injetar R$ 359 milhões na receita líquida da Hypera durante o seu primeiro ano completo de comercialização, montante que equivale a 4% da projeção de faturamento total da companhia para o ano de 2027.
Impactos nos custos e despesas
O lançamento da caneta exigiu maiores investimentos, fazendo com que as despesas de marketing crescessem 13,1% no trimestre, somando R$ 414,7 milhões. Os gastos com vendas, que englobam a equipe comercial e a logística, também subiram 15,2% e atingiram R$ 272,7 milhões.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) referente às operações continuadas fechou em R$ 782,3 milhões, alta de 3,4%. Por sua vez, a margem recuou de 34% para 32,1%, cenário que a empresa justifica devido aos investimentos comerciais e de marketing direcionados ao Semavy.
Apesar dos custos adicionais com o lançamento, o balanço também foi beneficiado por uma retração de 35,3% nas despesas financeiras, que caíram para R$ 148,2 milhões como reflexo da diminuição do endividamento e do recuo da taxa Selic no período.
O encerramento de setembro registrou uma dívida líquida de R$ 5,6 bilhões, abaixo dos R$ 5,9 bilhões contabilizados no fechamento de junho. A companhia informou ainda um enxugamento nos estoques de insumos e mercadorias prontas, cuja média passou de 221 dias, observados um ano antes, para 186 dias.
Desempenho por categorias
O indicador de sell-out, termo utilizado pelo setor para designar as vendas diretas das farmácias aos clientes, avançou 6,6% no trimestre. O resultado foi puxado principalmente pelas categorias de dermocosméticos, gastroenterologia, cardiologia e diabetes.
Em contrapartida, a categoria de antigripais registrou uma retração de 15% nas vendas, reflexo direto da diminuição nos registros de casos de gripe em todo o país ao longo do trimestre.
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