Chimpanzés roubam menos de amigos, diz estudo

Chimpanzés evitam roubar comida de amigos, revela estudo inédito

Curiosidades

Um santuário de chimpanzés em Uganda foi palco de uma descoberta surpreendente sobre o comportamento animal: os primatas demonstram ser consideravelmente menos propensos a roubar comida de amigos. A constatação veio a público por meio de um estudo detalhado na revista Evolution and Human Behavior, que documentou a capacidade desses animais de conter impulsos egoístas e valorizar laços afetivos em detrimento do alimento.

O caso de Pasa e Yoyo ilustra bem a dinâmica. Melhores amigas, elas dividem refeições, cuidam uma da outra e passam as tardes na grama. Durante os testes, quando pesquisadores deixavam o abacaxi de Pasa ao alcance da companheira, Yoyo vira as costas e ignora a fruta. Esse comportamento exato se repetiu com outras 25 duplas de animais observadas pela equipe científica.

O abacaxi era uma guloseima apreciada pelos chimpanzés e que era inacessível fora dos experimentos. Ou seja, era uma tentação. Em todas as vezes em que identificaram que a fruta não tinha dono, eles mandaram ver e comeram. Já quando a fruta dando sopa pertencia a um chimpanzé que não era amigo, a chance de roubá-lo era maior do que se fosse de um amigo.

A ciência por trás da amizade entre primatas

Durante muito tempo, o próprio conceito de amizade entre chimpanzés foi visto com ceticismo pela comunidade científica. Especialistas consideravam o termo uma forma de antropomorfismo, a projeção de valores estritamente humanos em animais separados por uma longa distância evolutiva. No entanto, o cenário mudou drasticamente nas últimas décadas.

“Não era óbvio para nós que os chimpanzés roubariam menos de seus amigos”, disse Oded Ritov, autor principal do estudo em entrevista ao New York Times. Para ele, a descoberta aponta que os chimpanzés têm expectativas sociais uns em relação aos outros, como os humanos. “Acreditamos que essas expectativas possam ser um componente básico que, posteriormente, evoluiu para a justiça e outros tipos de moralidade que observamos nos humanos.”

A análise dos cientistas baseou-se em 800 horas de gravações em vídeo no santuário ugandense. O grupo formou duplas de amigos e também de conhecidos, monitorando as oportunidades de furto alimentar. Nos testes em salas separadas, a dupla de amigos era menos propensa a roubar uns dos outros e afastaram as bandejas com abacaxi em 61% das vezes, em comparação com 70% quando se tratava apenas de conhecidos.

Consequências da trapaça e os laços sociais

Quando ocorria o roubo entre amigos, a resposta era intensa. A vítima começava a fazer coisas como esmurrar o chão, soltar gritos altos ou se coçar em um ataque de arteriosse… (perdão, em um ataque de ansiedade). Apesar da reação caótica inicial, o perdão vinha rápido e a trapaça era tolerada nos testes seguintes. Já aqueles que eram apenas conhecidos não ganhavam o mesmo benefício: a raiva permanecia a mesma durante todo o experimento.

Enquanto na natureza as amizades florescem sobretudo entre machos para fins de defesa ou confrontos políticos, no cativeiro os laços se formam de maneira ampla, sem distinção marcante de sexo. Tais conexões garantem vantagens consideráveis, como o apoio mútuo, o conforto após perdas e o consolo pós-brigas. O afeto é tão forte que, ocasionalmente, um chimpanzé chega a “sentir ciúme” ao ver um amigo cuidando da pelagem de outro e interfere para impedir que eles criem laços.

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *