A prática regular de exercícios físicos funciona como um modulador natural da dor no corpo humano. Quando realizada de maneira orientada, a atividade melhora a circulação sanguínea, diminui a rigidez muscular, fortalece as estruturas de sustentação corporal e otimiza o equilíbrio das articulações. Além disso, o movimento exerce um impacto direto sobre o sistema nervoso central, auxiliando na regulação dos circuitos que processam o desconforto físico.
Em quadros de dor crônica, o cérebro frequentemente se mantém em um estado excessivo de alerta. O movimento atua normalizando essa resposta, o que diminui a hipersensibilidade dolorosa de forma progressiva.
O poder dos analgésicos naturais
Durante o esforço físico, o corpo secreta substâncias benéficas conhecidas como analgésicos naturais, entre elas as endorfinas, os endocanabinoides e a serotonina. As endorfinas se conectam a receptores similares aos opioides, o que diminui a percepção da dor e gera uma sensação de bem-estar.
Enquanto isso, os endocanabinoides auxiliam na modulação do estresse e da dor, e a serotonina favorece o humor e o controle dos mecanismos de dor no sistema nervoso. Essa combinação de reações bioquímicas justifica o motivo pelo qual muitos indivíduos sentem alívio físico e melhora emocional após se exercitarem.
Essa liberação química pode ter início poucos minutos após o começo do treino, principalmente quando a atividade alcança intensidade leve a moderada de forma contínua. Em média, um intervalo de 10 a 20 minutos já basta para registrar esse reflexo no organismo. Por meio da constância, o corpo melhora sua resposta e prolonga o efeito analgésico mesmo após o fim da sessão de exercícios.
As informações foram esclarecidas pela médica anestesiologista Dra. Ana Flávia Vieira Leite, que é referência no tratamento da dor crônica.
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