O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) ratificou a cassação do registro profissional de Flávia Pereira Carneiro, ex-contadora das Americanas. A profissional foi a responsável por assinar as demonstrações financeiras da varejista nos exercícios de 2020 e 2021, documentos que ficaram no epicentro da crise financeira da rede após serem estruturados sem documentação comprobatória idônea.
A determinação partiu do Tribunal Superior de Ética e Disciplina, a última instância recursal do CFC. Com o parecer desfavorável, Flávia fica impedida de exercer a contabilidade, embora a medida ainda comporte recurso. Além de validar a perda da carteira profissional, a autoridade manteve uma suspensão preventiva por dois anos e a aplicação de censura pública.
A contadora havia contestado a sanção estipulada originalmente pelo Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro (CRC-RJ). Segundo o conselho federal, a aplicação imediata da suspensão tem como objetivo garantir que ela permaneça sem atuar na área durante a tramitação de eventuais embargos de declaração junto ao órgão fluminense, antes da conclusão definitiva do caso.
O advogado de Flávia, Edgard Monteiro de Menezes, afirmou que não iria se pronunciar a respeito da decisão.
Trajetória na empresa e colaboração judicial
A carreira de Flávia na Americanas começou em 2007. Ao longo dos anos, ela ascendeu até o posto de superintendente de controladoria, setor responsável pela conferência e controle interno das contas da companhia.
Diante do escândalo contábil de R$ 20 bilhões revelado no início de 2023, o conselho regional abriu um processo ético-disciplinar contra a contadora. Mais tarde, ela firmou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF). Os depoimentos prestados por ela forneceram elementos que embasaram a deflagração da Operação Disclosure, conduzida pela Polícia Federal em junho de 2024.
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