Cultura molda Nova Orleans entre música, fé e histórias de assombração

Cultura de Nova Orleans une música, fé e vodu

Turismo

Maior centro urbano do estado da Louisiana, Nova Orleans é a cidade da encruzilhada. Para um brasileiro, ela pode remeter um tanto a Salvador —por sua forte cultura negra, pela musicalidade e, sobretudo, pela espiritualidade.

A melhor forma de desbravá-la é se permitir andar meio sem rumo pelos quarteirões do French Quarter, observando a vida local. Não faltarão lojas de artigos místicos no caminho.

Isso porque os colonos europeus deixaram ali o catolicismo e os seus excessos, presentes na catedral central e na devoção a santos; os africanos e haitianos trouxeram os ritos iorubás. O sincretismo se encarregou do resto e deu origem ao vodu da Louisiana, com seus altares carregados e talismãs conhecidos como gris-gris. O oposto da sobriedade protestante que vingou no resto do país.

Histórias de assombração, aliás, rondam por toda a parte. Envolvem sobretudo a figura de Marie Laveau, misto de curandeira e parteira que ganhou fama de clarividente entre a elite local porque escutava as fofocas das clientes de seu salão de cabeleireiro no século 19 -costuma-se fazer um pedido a ela deixando na janela presilhas de cabelo.

Há casas com leitura de tarô em praticamente toda esquina. Locais costumam indicar a Voodoo Authentica. Ela lembra muito as lojas de artigos religiosos do Brasil, com cacarecos por toda parte: pozinhos mágicos, poções, velas, figuras da cultura iorubá e as famosas bonecas de vodu, com agulhas e tudo, chamadas de jujus.

Aos fundos, é possível fazer uma consulta com sacerdotes como Juno, um californiano que diz já ter passado meses provando ayahuasca na Amazônia brasileira. Por cerca de US$ 45 (R$ 247), ele se dispõe a tirar três cartas (sobre o passado, o presente e o futuro).

A este repórter a carta do futuro mostrou uma Bourbon Street tomada por gente fantasiada. O mestre espiritual deu um pequeno sorriso: “Se solte, cara, se permita mais”.

Onde ficar e onde comer

O principal a se conhecer em Nova Orleans fica nos limites do French Quarter, por isso é bom se hospedar nas proximidades. O Westin New Orleans, que funciona em cima de um shopping center repleto de grifes, é um quatro estrelas com diárias na casa dos R$ 4.000.

Quem tem interesse em curtir o Mardi Gras deve se preparar para estar em Nova Orleans na terça-feira de Carnaval. Mas as reservas nos hotéis se esgotam com meses de antecedência e costumam ser muito mais caras.

Nova Orleans é a melhor metrópole americana quando o assunto é comida. Seus pratos bem temperados carregam heranças africanas, europeias e indígenas.

Há três restaurantes bem recomendados. O primeiro é o Antoine’s, de quase 200 anos, que já serviu presidentes em seus salões. Prepara comida “creole”, isto é, resultante da miscigenação das várias culturas.

O Court of Two Sisters, à sombra de um carvalho, tem como vantagem o fato de oferecer um bufê, então dá para experimentar diferentes pratos, como sopa de tartaruga.

Já o Tujague’s oferece pratos fartos, sobretudo pescados, num dos casarões mais antigos da cidade, em atividade desde 1856.

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