Datafolha: Lula lidera entre menos propensos a votar; Flávio, entre os mais propensos

Datafolha revela divisão inédita entre eleitores propensos e faltosos

Economia

A última pesquisa Datafolha realizada na véspera do segundo turno inseriu uma nova variável na disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao analisar a propensão do eleitorado de comparecer às urnas.

Pela primeira vez, o instituto apresentou uma projeção que pondera a intenção de voto conforme a probabilidade de presença no pleito. Entre aqueles cidadãos classificados com alta chance de votar, Flávio atinge 52% dos votos válidos, enquanto Lula pontua com 48%.

Esse estrato populacional engloba 76% dos eleitores e é composto por pessoas que votaram no primeiro turno e residem perto de suas seções eleitorais.

Por outro lado, o panorama se inverte nos 24% restantes, formados por indivíduos com baixa ou média propensão ao voto. Nesse grupo específico, Lula assume a liderança com 52% dos votos válidos, ao passo que Flávio fica com 48%.

O dado joga luz sobre o impacto da abstenção na reta final de um pleito marcado pelo equilíbrio nas pesquisas tradicionais. No levantamento geral divulgado neste sábado (24), Flávio detém 51% dos votos válidos frente a 49% de Lula, configurando um empate técnico dentro da margem de erro estipulada em dois pontos percentuais.

Como funciona a propensão ao voto

A metodologia desenvolvida busca mensurar o peso que diferentes níveis de participação popular podem exercer sobre o resultado final deste domingo (25).

Para alcançar essa métrica, o instituto avalia dois critérios principais: o comparecimento do eleitor no primeiro turno e a distância geográfica entre a moradia e o local de votação.

Com base nisso, a amostragem separa os votantes em faixas de probabilidade. Cabe destacar que o cálculo não crava o resultado das urnas, mas aponta assimetrias no perfil de quem tem mais ou menos chances de votar.

Desafios e estratégias das campanhas

A divisão expõe um obstáculo distinto para cada candidatura. O representante do PL se sai melhor na parcela mais propensa a comparecer (52% a 48%), enquanto o petista repete o placar de 52% a 48%, mas concentrado no público com menor propensão de ir às urnas.

Essa configuração justifica o esforço intenso da campanha de Lula na mobilização de sua base nesta fase decisiva. Para o petista, convencer o eleitor não é suficiente; é preciso garantir que ele saia de casa para votar.

Um comportamento semelhante apareceu em outros levantamentos, a exemplo da AtlasIntel, onde Lula obteve vantagem expressiva entre os entrevistados que afirmaram não ter comparecido no primeiro turno — registrando 55,7% contra 40,2% de Flávio na rodada de 20 de outubro.

Embora utilizem métodos distintos, ambos os institutos sinalizam que o eleitorado mais simpático ao candidato do PT apresenta histórico recente de menor participação.

O peso decisivo da abstenção

O fator abstenção ganha relevância máxima devido ao estreito margen entre os concorrentes. Desde o início da campanha de segundo turno, os índices oscilaram de 52% a 48%, passaram por 51% a 49%, chegaram a um empate absoluto de 50% a 50% na quinta-feira (22), e retornaram agora para 51% a 49%.

Nesse contexto, qualquer variação no comparecimento de grupos com características tão peculiares pode modificar a contagem final dos votos válidos.

Os especialistas ressaltam que os dados apontam probabilidades estatísticas, e não um comportamento fixo — ou seja, os 24% menos propensos não estão descartados de votar, assim como os 76% de alta propensão não garantem 100% de presença.

A pesquisa Datafolha consultou 4.050 eleitores nos dias 23 e 24 de outubro, sob margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo, constando no Tribunal Superior Eleitoral sob o registro BR-09540/2026.

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