A busca por mantimentos que entreguem vantagens nutricionais além do sabor e da praticidade está mudando as gôndolas e expandindo a presença de substâncias que antes ficavam restritas a nichos específicos. Assim como a proteína ultrapassou as barreiras do universo esportivo para marcar presença em bebidas, snacks e laticínios do dia a dia, os probióticos e as fibras também ganham terreno em novas utilidades e diferentes momentos de consumo.
Na América Latina, 63% dos consumidores afirmam estar incorporando mais proteína à alimentação, segundo a Innova Market Insights. Dentro do território brasileiro, esse comportamento já se reflete no mercado: dados da Scanntech em conjunto com a McKinsey apontam que, entre os meses de janeiro e outubro de 2025, o volume de vendas de whey protein disparou 124%. No mesmo período, os cereais proteicos cresceram 21%, os iogurtes com o nutriente avançaram 16% e os leites saborizados proteicos subiram 14%.
“Estamos observando diferentes momentos de maturidade. A proteína já conquistou um espaço muito amplo e continua evoluindo em uma ampla gama de formatos de produtos voltados a diferentes públicos. Agora as fibras ganham maior visibilidade, enquanto o avanço do conhecimento sobre a saúde intestinal também cria oportunidades para ingredientes prebióticos e probióticos. Para a indústria, esses movimentos ampliam as possibilidades de inovação”, pontua Pedro Tatoni, gerente de Marketing de Nutrição Humana da ADM para a América Latina.
A ascensão das fibras na rotina Enquanto a proteína exibe um mercado mais maduro, as fibras conquistam maior destaque. No Brasil, o estudo da ADM: OutsideVoice – Global Fibersol Consumer Perception, realizado com 2.300 indivíduos globalmente, revela que os brasileiros buscam adicionar fibras e prebióticos preferencialmente em itens que já compõem o hábito alimentar matinal, como iogurtes, bebidas e cereais.
O levantamento também demonstra potencial de crescimento para novas alternativas: mais de 60% dos brasileiros dizem estar “muito” ou “extremamente” dispostos a testar snacks funcionais, produtos fortificados e pós neutros para misturar em receitas. Além disso, 27% consomem com regularidade laticínios fermentados ou iogurtes fortificados, 21% procuram por snacks funcionais e 20% relatam ingerir bebidas prontas com foco funcional.
Essa tendência reflete-se na criação de mercadorias em outras regiões. Um estudo da Innova Market Insights divulgado em agosto de 2026 apontou que, na Europa, os lançamentos com apelo de alto teor ou fonte de fibras superam o ritmo do mercado geral de alimentos e bebidas.
“A saúde funcional é um dos pilares da estratégia de crescimento da ADM. Estamos focados em ajudar nossos clientes a atender ao interesse dos consumidores e às suas expectativas em relação aos produtos do dia a dia. Os dados mostram que existe espaço para levar as fibras a diferentes momentos da alimentação, especialmente por meio de formatos que já são familiares ao consumidor. Para a indústria, isso significa olhar tanto para das características e benefícios dos diferentes tipos de fibras quanto para os hábitos de consumo, identificando categorias e ocasiões em que esses ingredientes podem ser incorporados de forma mais natural à rotina”, detalha Tatoni.
O foco na microbiota intestinal O interesse ampliado pelo bem-estar digestivo também impulsiona as discussões sobre prebióticos. No Brasil, a edição de 2026 do Observatório Internacional de Microbiotas, conduzido pela Ipsos em 11 nações, revelou que 70% dos brasileiros já ouviram falar sobre microbiota e 37% dizem consumir prebióticos, patamar bem próximo à média mundial de 38%.
Com a chegada desses conceitos a um público maior, cresce a demanda por esclarecimentos sobre as diferenças entre os compostos e suas vantagens. “Apesar da população em geral acreditar que consume fibras com regularidade, estamos longe da recomendação diária. Quanto maior o conhecimento do consumidor sobre saúde intestinal, maior tende a ser a demanda por informações claras sobre o que está presente no produto e qual é sua função. Isso também exige da indústria formulações respaldadas pela ciência e capazes de conciliar benefício nutricional com uma boa experiência de consumo”, reforça o gerente.
“Nem toda fibra é igual. O amadurecimento desse mercado passa por transformar o interesse por proteína, fibras e probióticos em produtos que façam sentido no cotidiano. Benefício nutricional, sabor, textura e praticidade precisam caminhar juntos para que essas soluções permaneçam na rotina do consumidor”, finaliza Tatoni.
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