Dino manda PF investigar suspeita de financiamento estrangeiro à campanha de Flávio Bolsonaro

Dino manda PF investigar campanha de Flávio Bolsonaro

Política

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a PF (Polícia Federal) abra um inquérito para apurar suspeitas de financiamento estrangeiro à campanha eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que perdeu para Lula (PT) as eleições presidenciais de domingo (25).

Sinais de ingerência externa

A investigação vai se concentrar no suposto aporte de recursos dos Estados Unidos por meio da Rockbridge Network, grupo conservador que reúne grandes fortunas e nomes de peso da tecnologia, dos investimentos e da política americana.

Ao ordenar a instauração da apuração, Dino disse haver elementos que “apontam para a intensificação dos indícios de ingerência estrangeira no processo eleitoral” e destacou que “não se admite a interferência, direta ou indireta, de Estado estrangeiro sobre assuntos submetidos à soberania” brasileira.

Dino decidiu em uma ação ajuizada pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) sobre a interferência da Justiça britânica em casos sobre o desastre de Mariana. O processo virou um precedente para outras decisões sobre a soberania nacional.

Em agosto do ano passado, por exemplo, Dino usou essa mesma ação para restringir os efeitos da Lei Magnitsky a autoridades brasileiras, e agora também cita possíveis riscos à soberania com a suspeita de atuação estrangeira no processo eleitoral.

Os pedidos de investigação foram feitos pelas campanhas de Lula e do candidato Renan Santos (Missão), que disputou o primeiro turno, mas ficou de fora do segudo. Eles afirmam que a Rockbridge participou de tratativas voltadas à obtenção de apoio financeiro para a campanha presidencial de Flávio.

Intermediação e redes sociais

A intermediação teria ocorrido por meio dos empresários Tallis Gomes e Pedro Sang, que viriam a ser parte de um “conselho de tecnologia” da Rockbridge no Brasil caso a instalação da organização no país tivesse prosperado, conforme documentos revelados pela Folha em setembro.

Dino afirmou que, além desse quadro, há indícios de “veiculação remunerada, por perfis sediados no exterior, de conteúdos alusivos à eleição presidencial brasileira”, com mensagens favoráveis à candidatura de Flávio, “sem identificação do pagador, nem dos valores pagos”.

O ministro também cita “possível criação de assimetrias nas condições de disputa eleitoral no Brasil” em decorrência da Meta. A empresa, dona do WhatsApp, do Instagram e do Facebook, é suspeita de dar tratamento desigual às campanhas de Lula e Flávio, favorecendo esse último.

De acodo com Dino, peritos da ONU (Organização das Nações Unidas) também alertaram para anomalias como “interrupções temporárias de contas de campanha” e “disparidades no engajamento do público e no alcance das publicações, com possível favorecimento de uma das candidaturas”.

A decisão do magistrado também cita reportagem da Folha que revelou mensagens internas de funcionários da Meta admitindo que as contas de Lula foram prejudicadas por restrições, e engenheiros atribuindo o problema a uma falha técnica.

Apoio dos Estados Unidos

A Rockbridge Network foi cofundada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e tem a participação de empresários do Vale do Silício e defende pautas da direita radical.

Como mostrou a Folha, dois empresários ligados à Rockbridge ajudaram Flávio Bolsonaro com serviços de apoio à sua candidatura e aconselhamento sobre a venda de infraestrutura de inteligência artificial no Brasil, segundo seis pessoas próximas à campanha.

À época, a assessoria de Flávio afirmou que a campanha não recebeu nenhuma verba ou estrutura estrangeira, algo proibido pela legislação eleitoral.

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