Companhias dos setores de logística, varejo, alimentação e agenciamento marítimo compartilham a mesma prioridade diante do fim da escala 6×1: assegurar que a operação permaneça intacta nos dias e horários de maior fluxo, mesmo com a redução da carga horária semanal dos colaboradores.
Organizações como Unimar, Loggi, Pizza Prime e Klivex já implementam ou planejam alterações em suas jornadas para evitar lacunas nos momentos de pico de trabalho.
Adaptações no agenciamento marítimo e logística
Com 370 funcionários, o grupo de agenciamento marítimo Unimar lida com a operação de navios, um cenário onde é inviável estabelecer rotinas fixas. Para contornar o desafio, a empresa estruturou um banco de horas, negociou com o sindicato e adotou inteligência artificial em processos como auditorias entre o sistema interno e o do armador.
“A gente tem de reduzir esse custo em folha e não há outro jeito que não seja tecnologia e otimização de processos. Precisamos preservar a operação nos momentos de maior demanda”, afirma Thiago Santos, diretor de estratégia corporativa da Unimar.
Na Loggi, os testes com a escala 5×2 ocorreram em outubro de 2025, antes da Black Friday, em unidades de Cajamar, na Grande São Paulo. A experiência serviu de termômetro para a empresa de entregas em um dos períodos mais movimentados do ano.
“A experiência nos permitiu avaliar, na prática, uma nova organização das jornadas de trabalho, buscando conciliar as necessidades da operação com mais equilíbrio e qualidade de vida para os colaboradores. Os resultados foram positivos e nos deram segurança para ampliar a iniciativa ao longo de 2026. Para uma operação logística, especialmente em períodos de alta demanda, contar com equipes mais estáveis faz toda a diferença”, diz Juliana Sorrentino, gerente sênior de pessoas.
Comércio e alimentação reorganizam escalas
A Klivex, distribuidora de produtos de higiene, limpeza e descartáveis sediada em Indaiatuba (SP), precisa manter os pontos de venda abertos aos sábados e assegurar o funcionamento do centro de distribuição para o comércio eletrônico e vendas corporativas. “O desafio para uma empresa do nosso porte é reorganizar as escalas sem perder qualidade no atendimento”, analisa o diretor-executivo, Mauro Silveira.
No setor alimentício, a Pizza Prime aponta a necessidade de alinhar os horários da equipe com o pico de pedidos à noite, aos fins de semana e nos feriados. Gabriel Concon, fundador da rede de franquias, compartilha de uma visão otimista comum a outras empresas de médio porte sobre a mudança.
“É a chance de aprimorar a eficiência operacional, fortalecer a gestão das equipes e construir um ambiente de trabalho cada vez mais sustentável”, afirma.
“Acreditamos que um time mais descansado também atende melhor”, completa Silveira.
Regras da nova legislação
O Senado aprovou o fim da escala 6×1 no último dia 14, em dois turnos, registrando apenas um voto contrário. Logo em seguida, o Congresso Nacional promulgou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) na última sexta-feira (16).
O texto regulamenta a transição para a escala 5×2, estabelecendo limite de 42 horas semanais 60 dias após a promulgação e 40 horas em até 14 meses, sem qualquer redução nos salários.
Para compensar as horas a menos, as companhias apostam em planejamento estratégico, eficiência e reorganização interna.
“Uma eventual adaptação das jornadas passa pela combinação de planejamento, processos bem estruturados, capacitação das equipes e uso de tecnologia”, completa Concon.
Como parte das mudanças, a Klivex informou que implantará folgas rotativas nas lojas, garantindo o domingo livre e mais um dia de descanso na semana, enquanto o centro de distribuição funcionará de segunda a sexta-feira, totalizando 42 horas semanais.
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