A adaptação cinematográfica da franquia de jogos Bioshock para a Netflix é um projeto que permanece em um limbo há mais de uma década. O cineasta Francis Lawrence, responsável por quase todos os filmes da franquia Jogos Vorazes e recentemente por A Longa Marcha: Caminhe ou Morra, revelou em entrevista os motivos que tornam essa transição para as telonas tão demorada e complexa.
Inicialmente, Gore Verbinski (Piratas do Caribe) estava cotado para a direção, mas a iniciativa não avançou. Mais tarde, Guillermo del Toro chegou a negociar para comandar o longa de temática steampunk, porém as conversas também não prosperaram. Agora, Lawrence assumiu o comando da produção e comentou sobre os desafios de adaptar o universo dos games.
“Também estou trabalhando em BioShock. Esse é outro projeto que venho tentando tirar do papel — que também está na Netflix —, o que é, de certa forma, um desafio. É uma adaptação complicada, porque se trata de um mundo absolutamente incrível. Mas, como jogador, você é o protagonista dessa história. Por isso, encontrar a fórmula certa é algo difícil, mas estamos chegando lá, o que é muito empolgante”, disse ele.
Uma trajetória de obstáculos desde 2009
Lawrence admitiu que o projeto está em seu radar desde 2009. Naquela época, Gore Verbinski o procurou — praticamente lhe oferecendo o projeto de bandeja — depois que sua visão para o filme foi rejeitada pela Universal, que vetou um orçamento de 200 milhões de dólares, a escolha de um protagonista que não era estrela de bilheteria e a classificação indicativa para adultos. Como Lawrence estava ocupado com outra produção, recusou a oferta inicial.
Anos depois, após a saída de Guillermo del Toro, o projeto acabou caindo nas mãos de Lawrence. O motivo da desistência de del Toro envolveu desentendimentos criativos: em conversa anterior, o cineasta relatou ter tido uma ligação telefônica “desastrosa” com a equipe do jogo e afirmou que nunca mais se aventurará na adaptação de um videogame.
Apesar dos percalços históricos, Lawrence garantiu que está totalmente comprometido em entregar a melhor versão possível da história, mantendo o respeito estrito ao material original.
“O criador de BioShock basicamente só precisou dar o seu aval a mim e ao meu conhecimento”, disse ele. “Mais uma vez, ele queria ter certeza de que eu era apaixonado pelo espírito do jogo. Acho que ele queria, de fato, proteger certos elementos, ideias e temas — como, aliás, qualquer criador deveria fazer.”
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