Entenda a disputa entre Richarlison e Flávio Bolsonaro sobre propriedade de luxo em Angra

Disputa entre Richarlison e Flávio Bolsonaro por mansão

Esportes

O senador Flávio Bolsonaro e o atacante da seleção brasileira Richarlison estão envolvidos em uma longa disputa judicial pela posse de uma propriedade de luxo situada em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. O conflito pelo casarão, que conta com uma cachoeira particular e fica próximo a um aeroporto da região, arrasta-se desde o ano de 2020 e envolve questões burocráticas, acusações de irregularidades e disputas sobre o direito de ocupação da área, que pertence à União.

A versão de Richarlison

De acordo com o atleta, ele e um sócio adquiriram a mansão localizada na ilha Comprida em 2020, em um investimento total de R$ 10 milhões. Como o terreno é patrimônio da União, o que o jogador comprou foi o direito de ocupação. Ele relata que pagou os antigos posseiros, indenizou moradores locais, realizou reformas estruturais e implementou medidas de segurança para evitar invasões.

Logo após a aquisição, interessados em comprar o imóvel teriam aparecido, incluindo Flávio Bolsonaro, segundo a versão do jogador. Em 27 de julho de 2020, o parlamentar visitou o local pela primeira vez.

Em 2022, durante a gestão do governo federal anterior, Richarlison e seu sócio foram surpreendidos por um mandado de reintegração de posse movido pela empresa M Locadora, representada por um advogado associado a Willer Tomaz.

“Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça”, afirmou o atleta.

O jogador também alega que o advogado Willer Tomaz e Flávio ingressaram diretamente na Secretaria do Patrimônio da União (SPU) com um pedido para regularizar o imóvel em favor do senador. Em 13 de maio de 2022, uma liminar estabeleceu que o direito de uso pertencia a Willer. Vizinhos e o próprio Richarlison, contudo, apontam que o parlamentar é quem frequenta o espaço com maior assiduidade.

Em meio a divergências sobre a validade da posse original, o então secretário do Patrimônio da União cedeu o local a Willer no mesmo dia em que uma certidão de transferência foi protocolada. O coletivo Derrubando Muros apresentou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) para apurar o caso.

“O pedido foi aceito em tempo recorde, Richarlison perdeu o imóvel, e a ilha passou a pertencer a Flávio Bolsonaro”, afirmou José Cesar Martins, coordenador do Derrubando Muros.

A versão da defesa de Willer

Por sua vez, o advogado Willer sustenta que adquiriu os direitos sobre o terreno de forma legal e desembolsou R$ 5 milhões para sanar pendências fiscais, classificando os antigos ocupantes como invasores. Ele desafiou o jogador a apresentar documentação que comprovasse o vínculo com o espaço.

Na última quarta-feira (21), o atleta publicou um vídeo nas redes sociais exibindo papéis que, segundo ele, comprovam a legalidade da compra. Em contrapartida, Willer Tomaz afirmou que os documentos exibidos por Richarlison “confirmam que o atacante pagou a posseiros, e não à proprietária de direito”.

“Até os valores divergem: no vídeo, fala em R$ 4,66 milhões, mas a Sport 70, empresa ligada a ele, declarou nos autos ter desembolsado R$ 2,6 milhões. Do outro lado, há escritura registrada, certidão da SPU e decisões favoráveis em todas as instâncias, inclusive no STJ, transitadas em julgado”, declarou o advogado.

Em manifestações passadas, o senador negou qualquer participação irregular no processo e pontuou que mantém apenas uma relação de amizade com Willer.

“Fake news que eu esteja em litígio com Richarlison. A defesa dele me arrolou como testemunha numa disputa de imóvel no RJ, sem eu ter absolutamente nada a ver com o tema. Parabéns ao craque Richarlison pelo golaço e pela primeira vitória do Brasil na Copa do Mundo”, publicou Flávio em 2022, fazendo menção ao gol do atacante na estreia da seleção no Mundial do Qatar.

Relação entre senador e advogado

Após surgirem suspeitas de uma sociedade indireta entre Willer e o senador, ambos reiteraram que a ligação entre suas famílias é estritamente de amizade e negaram irregularidades.

Ao longo de cerca de duas décadas, Willer expandiu seus negócios, passando de dono de uma loja de informática no Distrito Federal em 1999 para um empreendedor com atuação em radiodifusão, precatórios, mineração, turismo, apostas online e sociedades com parlamentares. A proximidade com Flávio Bolsonaro começou em 2019, quando o advogado atuou na defesa de um ex-ministro.

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