Consumidores que aguardam a Black Friday em busca de promoções vantajosas devem se preparar para enfrentar um efeito colateral conhecido: o encrespamento do tráfego. O forte avanço das transações digitais ao longo da data promocional tende a elevar expressivamente o fluxo de caminhões e vans de entrega nas principais metrópoles nacionais, gerando sobrecarga nas ruas e avenidas.
Um estudo conduzido pelo Centro Universitário FEI aponta que as paradas irregulares executadas por veículos voltados ao frete provocam uma queda de até 16% na velocidade média das vias públicas, quadro que se agrava drasticamente quando as operações logísticas cruzam com os horários de pico.
Em paralelo, projeções da Confi/Neotrust indicam que o comércio eletrônico brasileiro deve registrar um crescimento de 20% no volume de vendas na comparação com o intervalo compreendido entre 26 e 29 de novembro. O cenário é impulsionado por um mercado aquecido: apenas no acumulado de janeiro a setembro, o país contabilizou 1,2 bilhão de pedidos efetuados pela internet, um patamar superior em mais de 30% ao verificado no ano anterior.
O problema das paradas irregulares
Especialistas apontam que a escassez de vagas dedicadas exclusivamente a operações de carga e descarga é o principal gatilho para as infrações. Na ausência de estrutura apropriada, motoristas acabam utilizando acostamentos e faixas de rolamento, prática tratada pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) como infração grave, passível de multa no valor de R$ 195,23 e acréscimo de cinco pontos na carteira de habilitação.
Em contrapartida, simulações aplicadas em zonas centrais demonstram que a expansão de espaços voltados à logística diminui as paradas proibidas em 64%. Contudo, o nó logístico também afeta diretamente o consumidor final, uma vez que falhas operacionais e demoras representaram 25,29% das reclamações computadas no segmento durante a edição anterior do evento promocional.
Como alternativa para mitigar os transtornos no tráfego diurno, ganham tração iniciativas que propõem entregas em turnos alternativos, a exemplo do período noturno. No entanto, o modelo enfrenta obstáculos como a restrição de poluição sonora em áreas residenciais e a exigência de que o comprador esteja presente no endereço para receber o pacote fora do expediente comercial habitual.
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