Estudantes investem em tecnologia para motivar colegas no ensino integral

Alunos criam app para combater o desânimo no ensino integral

Educação

Diante do desânimo e das faltas frequentes no contraturno após a implementação do ensino integral em junho de 2024, alunos da EMEIEF Professor Trindade Verna, em Santa Luzia (PB), desenvolveram uma solução tecnológica própria para engajar a comunidade escolar. Liderado por cinco jovens do 9º ano, com idades de 14 e 15 anos, o projeto “Meu Futuro Agora” nasceu da aplicação da Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP) em aulas de matemática ao longo de 2025.

Diagnóstico do desinteresse

A iniciativa começou com uma ampla apuração interna. O grupo elaborou e aplicou questionários digitais que contaram com a participação de 90 estudantes e 11 professores do 6º ao 9º ano da cidade de 16 mil habitantes. Os resultados revelaram que, de 88 alunos avaliados, 40,9% não gostavam do modelo integral e 36,4% achavam o formato apenas regular.

O cansaço físico e mental despontou como o maior obstáculo para 63,2% de 87 participantes. Por outro lado, 75% compreendiam a relevância do período estendido para sua trajetória futura, sugerindo apenas que o turno da tarde trouxesse dinâmicas mais práticas e vinculadas a metas de carreira. A pesquisa também apontou que 80,5% aprovariam uma ferramenta digital com desafios, missões e recompensas.

Criação com apoio de inteligência artificial

O grupo notou que, embora o uso do celular fosse comum, o aparelho quase não era aproveitado para fins pedagógicos. Para contornar a falta de conectividade e aparelhos móveis entre alunos residentes na zona rural, a equipe estruturou o uso da plataforma prioritariamente nos computadores da escola, durante as aulas de Letramento Digital.

A montagem do protótipo envolveu ferramentas como Word, Canva e o Lovable, sistema dotado de inteligência artificial que converteu descrições textuais em interfaces interativas. O processo exigiu a união de competências de Língua Portuguesa, Pensamento Computacional, Ciências Humanas e Projeto de Vida.

Estrutura do sistema e gamificação

A interface foi estruturada com setores dedicados a discentes, educadores, famílias, gestores e eventuais parceiros. No módulo discente, o usuário tem acesso a trilhas de conhecimento conectadas a profissões reais — como Introdução à Programação, Sustentabilidade e Arte e Cultura Digital —, além de um módulo de matemática aplicada à engenharia com cálculo de áreas e plantas.

O ambiente inclui a seção Meu Diário, espaço voltado a reflexões individuais e comunicação com o corpo docente. O sistema de pontuação prioriza colaboração, evolução pessoal e criatividade, evitando a rivalidade excessiva. Durante a rodada de apresentações nas salas de aula, os próprios estudantes sugeriram a perda de cinco pontos no ranking em caso de falta não justificada.

Reconhecimento nacional e próximos passos

A proposta levou a escola pública paraibana à fase final do Desafio Liga Jovem do Sebrae, realizada em Belém (PA), onde os cinco jovens apresentaram o projeto presencialmente a uma comissão de seis jurados e conquistaram menção honrosa em 2025.

Para dar continuidade à iniciativa em 2026, a escola firmou cooperação com o campus local do Instituto Federal da Paraíba (IFPB). A parceria visa transformar o modelo experimental em um aplicativo definitivo, com testes agendados junto aos concluintes do 9º ano até o término do ano letivo, abrindo caminho para a futura expansão do sistema pela rede de ensino municipal.

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